Coringa 2: musical é bom, mas poderia explorar melhor Lady Gaga
A sequência de Coringa é um musical que mostra o julgamento do protagonista após os eventos do primeiro filme
Um dos filmes mais aguardados do ano, Coringa 2: Delírio a Dois estreia no Brasil em 5 de outubro e traz uma abordagem ousada: um musical que explora o relacionamento entre Lee, que é a Arlequina deste universo, e Arthur Fleck, o Coringa. Dirigido por Todd Phillips, o longa marca o retorno de Joaquin Phoenix ao papel que lhe rendeu um Oscar, desta vez contracenando com Lady Gaga, no seu terceiro grande personagem no cinema.
A trama se passa durante o julgamento do Coringa pelos cinco assassinatos narrados no longa anterior. Em certo momento na prisão, Arthur é levado a uma aula de canto, onde conhece Lee e logo já engatam um relacionamento por entenderem a realidade um do outro. Assim como no primeiro filme, na sequência também há uma disputa interna entre Coringa e Arthur para quem vai “assumir” o corpo. A personagem de Lady Gaga entra como força que incentiva as loucuras do protagonista.
A música é um fio condutor da loucura deles. Assim, os atos musicais são como uma ilusão que foge do mundo real e leva os personagens para outra realidade. Há um destaque nas canções Oh, When The Saints, That’s Entreteniment e Gonna Built A Montain, que tem grande importância na construção da narrativa para além da cantoria.
A capacidade vocal de Gaga é inquestionável, tanto que inspirou o lançamento de um álbum Harlequin, baseado na personagem. A surpresa, no entanto, está nos números musicais de Phoenix, que foram, até mesmo, elogiados pela voz de Born This Way.
A dinâmica entre o casal principal é bem diferente de outras representações dos personagens nas telonas e nos quadrinhos. Nesta versão, Harley Quinn não é vítima dos abusos de Coringa, mas sim uma manipuladora que pratica gaslighting, incluindo uma falsa gravidez e a criação de um passado fictício para ela. A intenção é moldar o comportamento de Arthur para que ele viva como o “verdadeiro eu”, que é o Coringa.
Só que, no auge do filme, Arthur decide que não quer mais ser “Coringa“, resultando no abandono por parte de Harley.
Aliás, um dos momentos mais impactantes do filme ocorre quando a advogada de Arthur revela que Harley vinha mentindo, alegando que ela era uma mulher de classe alta que estudou psiquiatria e se internou no hospital apenas para conhecê-lo. Em outra cena, vemos um vislumbre da casa de Harley, com frascos de medicamentos ao lado da cama, o que poderia ter sido mais explorado. Outro destaque é a sequência em que Harley se maquia, em um claro paralelo à icônica cena de Coringa se preparando no espelho no primeiro filme.
O maior problema de Coringa 2 é a sua insistência em explorar o conflito interno de Arthur Fleck. Assim, a história de Harley Quinn, que é relegada a um papel secundário, serve apenas como uma peça no autoconhecimento do protagonista. A decisão de escalar uma artista tão potênte como Lady Gaga para interpretar uma personagem complexa poderia ter sido brilhante, caso o diretor não tivesse focado tanto em questões já abordadas no primeiro filme. Não é à toa que dividiu opiniões da crítica internacional.
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