Asa Branca: Felipe Simas diz que papel em filme mudou forma de viver
O ator Felipe Simas e o diretor do filme, Guga Sander, concederam entrevista ao Metrópoles sobre o filme Asa Branca – A Voz da Arena
A trajetória de Waldemar Ruy dos Santos, mais conhecido como Asa Branca, chega em breve aos cinemas. A cinebiografia Asa Branca – A Voz da Arena, dirigida por Guga Sander, aposta em um recorte específico para contar ao grande público a vida do locutor que revolucionou o rodeio brasileiro. O filme passa por momentos chaves na vida de Asa Branca, passando pelo trauma que o fez deixar de ser peão de rodeio, a descoberta do amor pela locução e a maneira como revolucionou o evento.
Em entrevista ao Metrópoles, Felipe Simas, que interpreta o personagem no longa, revelou que o papel mudou a forma como ele observa a própria vida. Para ele, o processo começou ao tentar entender Asa Branca como uma figura mais humanizada, aproximando o público de um homem real, que enfrenta contradições e fragilidades, como o vício em substâncias.
“O Asa Branca é uma figura muito mítica. Às vezes, a gente se relaciona com ele sem enxergá-lo como humano. O primeiro contato foi reconhecer o Asa Branca como um homem, com dores, traumas, e acolher o Asa Branca no coração do Felipe e, ao fazer isso, a gente começa a dialogar com o roteiro, que é muito baseado em cima das relações dele”, afirmou o ator.
Essa abordagem influenciou diretamente a narrativa do longa que, ao invés de focar apenas nos feitos grandiosos do personagem, aposta nas relações pessoais e nos conflitos internos, dando voz para as várias versões de Asa Branca. A convivência com um personagem tão extremo, que vive altos e baixos intensos ao longo da produção, também provocou mudanças fora de cena.
Felipe contou que Asa Branca vivia no limite, algo distante de sua própria personalidade. “Ele se permitia viver os extremos da vida. Já o Felipe é mais contido, mais racional”, revelou. “O Asa Branca deu uma mexida na minha estrutura psíquica, no bom sentido. Eu saio desse filme observando a vida com mais intensidade, com mais amor, querendo viver cada momento intensamente.”
Decisão narrativa sobre a vida de Asa Branca
Também na entrevista, Guga Sander explicou a decisão de não abordar a vida inteira de Asa Branca no longa. Em tom mais leve, o diretor brincou que vive na máxima de que “quem quer contar tudo, às vezes não conta nada” e que queria retratar no filme o que era o DNA do locutor: a inovação dentro das arenas.
“[O grande feito dele] foi falar dentro da arena com microfone sem fio. Foi quebrar paradigmas. Foi elevar o rodeio a algo muito maior do que ele era e transformar isso em entretenimento”, explicou.
Assim surgiu a decisão de acompanhar a virada decisiva da vida de Asa Branca: o grave acidente que o afasta da montaria e o leva a se reinventar como locutor. Após o ocorrido, ele toma como missão a ideia de popularizar e transformar os rodeios em espetáculo. O filme mostra momentos que realmente aconteceram, como uma entrada triunfal dele de helicóptero em uma arena.
Apesar de ser ter inspiração na vida do locutor, o filme não aborda a morte dele, que ocorreu em 2020. Asa Branca morreu aos 57 anos. Na época, ele, que era HIV positivo, estava internado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e não resistiu às complicações de um câncer na mandíbula.
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