COI denuncia ameaças ucranianas de boicote aos Jogos Olímpicos de 2024
Para a França e a cidade de Paris, que sediará os próximos Jogos Olímpicos em 2024, o assunto é cada vez mais delicado
As ameaças ucranianas de boicotar os Jogos Olímpicos de 2024 em Paris se atletas russos e bielorrussos participarem deles "vão contra os princípios do movimento olímpico", disse o presidente do COI, Thomas Bach, nesta quinta-feira (9) em um e-mail revelado pelo Comitê Olímpico Ucraniano.
A divulgação da carta ocorre às vésperas de uma conferência que reunirá ministros de Esportes de vários países em Londres na sexta-feira, e que será dedicada à presença desses atletas no evento olímpico de Paris.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, fará o discurso de abertura desta cúpula por videoconferência, na qual espera-se que volte a atacar os planos do COI para Paris-2024.
Na carta, datada de 31 de janeiro, Thomas Bach garante que as "pressões" ucranianas são percebidas como "extremamente infelizes" pela "grande maioria" dos diferentes atores olímpicos, desde os comitês nacionais (CNO) até as federações internacionais.
"A esse respeito, o CNO da Ucrânia certamente não conta com o apoio ou a solidariedade da grande maioria dos interessados no movimento olímpico. E, como a história mostra, os boicotes anteriores não atingiram seus objetivos políticos e serviram apenas para punir os atletas" nos países mencionados, continua Thomas Bach, que foi privado da defesa de seu título olímpico na esgrima por equipe devido ao boicote alemão aos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou.
O dirigente recorda ainda que qualquer boicote desportivo "é uma violação da Carta Olímpica", sem evocar explicitamente sanções, enquanto a Coreia do Norte foi privada pelo COI dos Jogos de 2022 em Pequim por não ter enviado uma equipe a Tóquio em 2021.
Por último, Thomas Bach garante que a participação sob bandeira neutra de atletas russos e bielorrussos nos Jogos de 2024 "nem sequer foi discutida em termos concretos", qualificando como "prematuros" os esforços de Kiev para impedi-la.
Desde o início da invasão russa da Ucrânia, no final de fevereiro de 2022, os atletas dos dois países foram excluídos da maioria dos eventos esportivos mundiais.
- Frente de apoio -
Mas o Comitê Olímpico Internacional (COI) acendeu o pavio no final de janeiro, propondo um plano para organizar o retorno desses atletas à competição sob bandeira neutra, desde que não tenham "apoiado ativamente a guerra na Ucrânia".
"Nenhum atleta deve ser privado da competição apenas com base no passaporte", afirmou Bach.
Esta posição é inadmissível para Kiev, que imediatamente ameaçou com um boicote, acusando a entidade olímpica de ser "um promotor de guerra, assassinato e destruição".
Existe uma frente organizada em apoio a Kiev, embora apenas um punhado de países considere um boicote, como a Polônia e a Estônia. A Letônia também alertou que "não participaria dos Jogos junto com o país agressor".
O ministro dos Esportes da Polônia, Kamil Bortniczuk, disse no início de fevereiro que espera que cerca de quarenta países se oponham à participação da Rússia e de Belarus.
Sua contraparte britânica, Lucy Frazer, que organiza a conferência de sexta-feira, acusou o COI de menosprezar "a plataforma perfeita para promover a Rússia e legitimar sua guerra ilegal" que os Jogos oferecem a Vladimir Putin.
Os Estados Unidos, por outro lado, mostraram-se favoráveis ao compromisso da bandeira neutra.
Para a França e a cidade de Paris, que sediará os próximos Jogos Olímpicos em 2024, o assunto é cada vez mais delicado.
A prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, em visita a Kiev nesta quinta-feira, manifestou-se contra a participação de atletas russos "enquanto a Rússia continuar fazendo guerra com a Ucrânia", depois de ter defendido a presença dos russos nos Jogos "sob uma bandeira neutra", para "não privar os atletas de sua competição".
O Presidente francês, Emmanuel Macron, também indicou nesta quinta-feira que tinha "conversado" com Zelensky sobre uma possível exclusão dos atletas russos dos Jogos.
Enquanto isso, os diferentes protagonistas transferem a responsabilidade de uma decisão a esse respeito.
O COI insiste que são as federações esportivas internacionais que continuam sendo as "únicas autoridades" que governam suas competições nos Jogos. Essas entidades não se pronunciaram sobre o caso até o momento.
Veja também
Últimas notícias
’Nunca se sabe quando vai acontecer com a gente’: vídeo de mulher morta revela histórico de violência
Prefeita Ziane Costa divulga evolução das obras de escola e destaca antes e depois da unidade
Eduardo Bulhões anuncia construção de Centro Esportivo Comunitário em Santana do Ipanema
Agendamento para serviços eleitorais passa a ser obrigatório a partir de 1º de fevereiro
Contribuintes podem emitir boleto do IPTU 2026 com 20% de desconto pelo WhatsApp
Mais de 229 mil alagoanos estão com o título de eleitor cancelado
Vídeos e noticias mais lidas
Cobranças abusivas de ambulantes em praias de AL geram denúncias e revolta da população
Corpo encontrado no Bosque das Arapiracas apresentava sinais de violência
Após bebedeira, dois homens se desentendem e trocam tiros em Traipu
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
