Promotora de Justiça critica projeto de lei que altera Lei Maria da Penha
Discussão tramita no Senado Federal; movimentos sociais das mulheres se sentem lesados pois afirmam terem sido excluídos do debate sobre a nova legislação
A discussão sobre o projeto de lei da Câmara (PLC 7/2016) que altera a Lei Maria da Penha (Lei 1.340/2006) está em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal. Entre outras mudanças, a medida permite que delegados de Polícia decidam sobre o "deferimento" de medidas protetivas de urgência, após o registro de ocorrência policial.
De acordo com a promotora de Justiça Maria José Alves, que é membro da Comissão de Promotores do Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (COPEVID), tal mudança baseia-se no falso argumento de ser isso mais célere que a Justiça e, assim, as vítimas estariam mais seguras.
Veja abaixo a nota da titular da 38ª Promotoria de Justiça da Capital - Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher na íntegra:
"Cumprindo com meu dever de membro da Comissão de Promotores do Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (COPEVID), informo a todos que está tramitando o PL 07/2016 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que visa modificar a Lei Maria da Penha, dando poderes aos delegados de polícia para concederem, na delegacia, as medidas protetivas de urgência às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, sob o falso argumento de ser mais célere que a justiça e as vítimas estariam mais seguras.
Por causa dessa nítida ilegalidade, vários órgãos institucionais emitiram notas técnicas firmando posicionamento contrário a essa aberrante alteração. O que nos causou maior estranheza é este projeto de lei estar tramitando em regime de urgência em razão de decisão do relator, que sequer possibilitou a realização de audiência pública para que os movimentos sociais das mulheres pudessem discutir, com mais detalhes, as consequências jurídicas e de fato decorrentes dessa modificação.
Os/as promotores (as) de justiça atentos e cuidadosos em preservar todos os direitos conquistados pela Lei Maria da Penha foram até Brasília conversar com os senadores membros da CCJ para expor o prejuízo que as mulheres sofreriam. As senadoras Vanessa Grazziotin e Marta Suplicy preocupadas com possíveis danos para as mulheres vítimas de violência doméstica conseguiram adiar a votação do PL de quarta-feira passada amanhã, dia 15 de junho, por entenderem ser necessário debater com a sociedade, por meio de realização de audiência pública, esse PL.
Todos os promotores de justiça se comprometeram a entrar em contato com os movimentos sociais de seus estados e noticiar o que está ocorrendo e pedir para comparecerem no dia da votação na CCJ do Senado Federal em Brasília. Notas técnicas e os motivos que esclarecem os malefícios desse PL foram divulgadas pelo CNPG/GNDH, CONAMP, AMB, FONAVID, CONDEGE. É imprescindível não confundir poder jurisdicional com investigação, não se corrige omissão com ilegalidade."
Últimas notícias
Homem é preso por agredir e tentar sufocar a esposa no bairro Vergel do Lago
Ex-funcionário é alvo de operação por desviar R$ 281 mil de patrão idoso
Caio Bebeto diz que saúde é a pior pasta do Estado e afirma que setor 'vive na UTI'
Homem é preso em Maceió suspeito de fotografar mulheres dormindo de roupas íntimas
Homem reage à abordagem em Arapiraca e ameaça policiais dizendo ser 'família de deputado'
Homem é encontrado morto dentro de cisterna na zona rural de Craíbas
Vídeos e noticias mais lidas
Defesa de Vitinho repudia oferta de recompensa e afirma que jovem corre risco de vida
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
Prefeito Luciano garante pavimentação de mais dois bairros de Arapiraca
Vigia que ‘terceirizou’ próprio posto terá de ressarcir aos cofres públicos R$ 104 mil
