Programa do Leite não atende a 60% das 80 mil famílias; beneficiários reclamam
Cerca de 100 famílias do Village Campestre II, que estão sem receber o leite, apontam dificuldade financeira em adquirir o leite
Cerca de 60% das 80 mil famílias atendidas pelo Programa do Leite em Alagoas, não estão mais recebendo os sete litros de leites entregues gratuitamente. O Estado culpa a falta de repasses do Governo Federal, por não estar conseguindo atender a demanda. No Village Campestre II, as cerca de 100 famílias de baixa renda contempladas não recebem o benefício há um mês e apontam dificuldades financeiras para suprir a falta.
O casal Sebastiana e Manoel gasta atualmente cerca de R$ 50 por mês para comprar leite em pó. Ele tem diabetes e câncer, o produto líquido e gratuito, recebido todas as semanas vem fazendo falta na alimentação. “É muito complicado, pra mim só não, mas para todos que pegavam. Afinal, todos são necessitados”, explicou a aposentada Sebastiana Ferreira, sobre retirar da renda apertada o valor para comprar o produto em pó.
O líder comunitário do Village campestre II, Fernando José dos Santos, havia sido informado anteriormente sobre a falta de recursos para concretizar a entrega do leite, mas segundo ele, o Estado se comprometeu a manter o programa na comunidade, o que não aconteceu. Enquanto isso, ele questiona o fato de outras localidades ainda receberem o benefício.
“Eu gostaria que eles dessem uma resposta pra esse povo, porque esse leite é um programa do Governo Federal. Mês passado o Estado garantiu que não iria parar. Era preciso pagar R$ 12 milhões a CPLA, foram pagos R$ 6 milhões. E se não está pagando porque está entregando no Benedito Bentes? Lá recebe de outro canto?”, questionou o representante dos moradores.
O secretário de Agricultura de Alagoas, Álvaro Vasconcelos, reconheceu a falta de repasse que, segundo ele, vem acontecendo desde o ano passado, quando o Estado teria conseguido compensar o déficit dos atrasos. Mas o problema teria tido continuidade esse ano e o Governo não teria tido alternativa anão ser reduzir o número de famílias atendidas. Atualmente apenas 60% das 80 mil famílias inscritas estão recebendo o leite de forma gratuita.
“Esse ano o Governo do Estado já conseguiu aprovar recursos e tá colocando no programa para ele não parar totalmente, mas ainda existe uma demanda do mês de fevereiro. Falta o Ministério do Desenvolvimento Social liberar os recursos para o programa nesse mês. No mês de maio temos uma parcela em aberto para ser liberada pelo Ministério”, afirmou.
A Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) confirmou o atraso e ressaltou que há divergências no valor pago.
Confira a reportagem completa que foi ao ar no Jornal do Dia, da Tv Ponta Verde:
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