Certificação garante maior visibilidade e reconhecimento cultural para o bordado filé
Tecer a tradição com agulha de madeira e fios coloridos sobre uma malha às margens das lagoas, orquestrando, suavemente, o balanço das águas com o movimento das mãos que trançam, numa infinidade de pontos e cores, os fios que se tornam verdadeiras obras de arte.
Tal atividade, que pouco a pouco concede vida ao bordado filé, acaba de receber a certificação de Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que funciona como um selo de qualidade ao produto desenvolvido em determinada região.
Na prática, a certificação traz ao filé, tradicionalmente feito pelas filezeiras do Instituto do Bordado Filé de Alagoas (Inbordal), da região das Lagoas Mundaú e Manguaba, o reconhecimento cultural e a garantia de que aquele produto tem tradição e qualidade comprovadas. O selo permite ao consumidor o acesso à rastreabilidade do produto.
O período de comprovação para a certificação da região durou seis anos e contou com a dedicação do Governo de Alagoas, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Sebrae e Prefeitura de Maceió, onde foi feito um levantamento dos artesãos nos municípios mapeados em torno das Lagoas Mundaú e Manguaba.
De acordo com a gerente de Design e Artesanato da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas (Sedetur), Daniela Vasconcelos, o processo foi lento e minucioso, mas é visto como um investimento na cadeia produtiva em torno do bordado.
“Apesar de ser um processo demorado, enxergamos isso como um investimento para que essa cultura seja preservada. Além de ser um reconhecimento para Alagoas, o filé sempre foi o carro-chefe do artesanato alagoano, principalmente em Maceió. O Bordado Filé já é nosso Patrimônio Imaterial, o próximo passo é o reconhecimento como Patrimônio Imaterial do Brasil. A certificação ajuda para que isso aconteça”, afirma Daniela.
Segundo dados do Programa do Artesanato Brasileiro em Alagoas (PAB), dos treze mil artesãos inscritos no Sistema de Cadastramento do Artesanato Brasileiro (Sicab), 1.745 trabalham com filé em Alagoas e 90% dos artesãos que moram na região certificada pelo INPI se dedicam ao bordado filé.
Nesse sentido, entender o processo de construção do filé é contribuir para o fortalecimento dessa tradição passada através das gerações pelas artesãs alagoanas.
É o que pensa a presidente do Inbordal, Petrúcia Lopes, que assinou recentemente uma coleção de inverno tendo como inspiração o bordado filé. Para ela, a certificação vai valorizar e trazer ainda mais valor ao produto.
“Na parte comercial, ele vai ser muito mais valorizado, porque a certificação agrega valor ao produto comercializado. Vai ficar mais fácil para as artesãs que produzem o filé vender suas peças no mercado interno e externo também”, destaca Petrúcia Lopes.
Para além do reconhecimento do produto como um bem cultural alagoano, a valorização do bordado muda a percepção de sua aplicação. Ele deixa de ser visto apenas como um produto do artesanato local e passa ser utilizado em diversas áreas, como na indústria da moda e em utensílios decorativos exportados para fora do estado.
Própolis vermelha
Em 2012, os apicultores de 17 municípios do litoral alagoano comemoraram a autorização para o registro da Indicação Geográfica (IG) da Própolis Vermelha dos Manguezais de Alagoas, na modalidade Denominação de Origem. A certificação foi o primeiro registro de Indicação Geográfica concedida a um produto alagoano.

Com essa certificação, o produto da apicultura conquistou um novo patamar de competitividade no mercado. Segundo o empresário Mário Calheiros, proprietário da Apícula Fernão Velho, o reconhecimento geográfico permitiu grandes parcerias, dentre elas, núcleos de pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
“Entre os principais ganhos conquistados por meio do selo de Indicação Geográfica, temos o interesse de instituições de ensino e dos pesquisadores em estudar os benefícios da utilização da própolis. Diversas pesquisas começaram a surgir nesse âmbito após o reconhecimento. Além disso, desenvolvemos o cooperativismo com a criação da União dos Produtores de Própolis Vermelha de Alagoas (Unipropolis)”, afirma Mário Calheiros.
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