Municípios denunciam atraso de recursos da Sesau e falam em caos no SUS
As dificuldades enfrentadas pelos gestores municipais para o custeio de ações e serviços em saúde foram discutidas em assembleia, na manhã desta segunda-feira (22), no Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), no Pinheiro, pelos secretários da pasta. Entre as pendências que afligem a categoria, está a falta de repasse financeiro dos programas da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Em unanimidade, eles votaram por encaminhamentos - coordenados pela Diretoria do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems) para solucionar os problemas que afetam a assistência prestada aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e põem na berlinda o fechamento de contas dos gestores no fim do ano.
Além do não repasse financeiro dos programas da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), a exemplo do Prohosp, Promater, Provida e Invig, foram discutidas outras pendências que preocupam os profisisionais como a extinção do Prosaúde; contrapartida estadual do componente básico da assistência farmacêutica; aquisição de tiras e lancetas destinadas aos portadores do Diabetes Melittus e a falta de oferta de aproximadamente 30 itens pelo Componente Especializado de Assistência Farmacêutica (Ceaf).
A descontinuidade da Sesau no tocante ao fornecimento de fraldas geriátricas descartáveis é outra lacuna que respinga sobre a maioria dos secretários de Saúde, bem como o custeio com o Tratamento Fora do Domicílio Interestadual (TFD), envolvendo o cancelamento de agendamentos e o não fornecimento de passagens e diárias aos usuários.Outro item que preocupa a categoria é o sucateamento da frota de ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A falta de negociação com o governo do Estado que, segundo os gestores, tem adotado uma postura unilateral sem considerar as colocações da categoria, representada pelo Cosems - levou o colegiado a deliberar medidas mais enérgicas, a exemplo da suspensão, a partir de 1 de setembro, de todas as reuniões da Comissões Intergestores Bibartite (CIB) e Comissões Intergestores Regionais (CIR), como instrumento de pressão para reabrir o canal de negociação.
Ficou acertada ainda na assembleia desta segunda-feira a representação dos problemas dos municípios junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e Tribunal de Contas do Estado (TCE); encaminhamento de ofício ao Ministério Público Estadual (MP) e Federal (MPF) e Defensoria Pública, dando ciência sobre os atrasos financeiros por parte do Estado e as ações de judicialização, pela incapacidade financeira de os gestores arcarem com as despesas dos seus municípios.
O presidente do Cosems, Ubiratan Pedrosa, fez um balanço da situação crítica por que passa o SUS em Alagoas, pontuando o atraso de repasse de verbas federais e estadual. De acordo com ele, cabe aos municípios investirem até 15% da receita própria em saúde e a maioria tem ultrapassado este teto. A secretária de Cajueiro, Marta Varallo, afirmou que os secretários precisam reagir e não serem "engolidos ou engessados" pela Sesau.
Segundo ela, o sucateamento dos hospitais do interior é outro problema que angustia os gestores, já que, de acordo com ela, eles têm canalizado recursos para a manutenção destas instituições, deixando de investir na Atenção Básica. A vice-presidente do Cosems e secretária de Pão de Açúcar, Normanda Santiago, afirmou que gestores de outros Estados com problemas semelhantes, a exemplo de Minas Gerais, entraram com mandato de segurança contra o Estado e suspenderam as reuniões da CIR e CIB, como forma de pressionar o Executivo a solucionar os problemas da categoria.
"Quando deixarmos os cargos, ficaremos sozinhos para responder as auditorias, que podem vir anos depois, e que comprometem o nosso CPF", alertou Normanda. O secretário de Jacaré dos Homens e diretor do Cosems, Clodoaldo Ferreira, também considera esgotadas as negociações com a Sesau e comungou da opinião dos demais gestores, no tocante a oficializar a queixa junto a órgãos reguladores. O diretor do Cosems e secretário de Saúde de Capela, Alessandro Moreira, lembrou que no dia 31 de dezembro os gestores terão de fechar as contas sem deixar restos a pagar para próxima gestão. "Estamos na vitrine do Estado e precisamos nos impor mais e, sobretudo, expor o compromisso que assumimos com a população. Espero que o Estado não deixe os municípios penalizados", concluiu.
Últimas notícias
Real Madrid operou Mbappé errado? Entenda meme que viralizou nas redes
Filiação de Gaspar ao PL confirma plano vazado em anotações de Flávio Bolsonaro
Renan Filho deixa governo Lula com o trunfo de ter evitado a greve nacional dos caminhoneiros
Vereador de Arapiraca pode perder mandato por excesso de faltas; MP pede posse de suplente
Vereador cobra pagamentos de emendas a instituições de acolhimento de idosos em Maceió
Incêndio de grandes proporções atinge imóvel em São José da Laje
Vídeos e noticias mais lidas
Mistério em Arapiraca: saiba quem era o empresário morto a tiros em condomínio
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Cunhado de vereador é encontrado morto a tiros dentro de condomínio em Arapiraca
Subcomandante de unidade da PM de AL é denunciado por agredir a esposa, também policial militar
