Após STF considerar vaquejada ilegal, AVAQ recorre e recebe notícia com "estranheza"
De acordo com o presidente, prática fomenta a empregabilidade e fortalece economia no país
Em entrevista ao portal 7 Segundos, o presidente da Associação dos Vaqueiros do Brasil (AVAQ), Cícero Andrade, afirmou que recebeu com estranheza o resultado da votação do Supremo Tribunal Federal que considerou ilegal a vaquejada em todo o Brasil. A decisão foi proferida na última quinta-feira (6), e, por seis votos a cinco, os ministros consideraram que a atividade impõe sofrimento aos animais e que não respeita o meio ambiente.
O ministro Marco Aurélio afirmou que os animais envolvidos neste tipo de prática sofrem maus tratos. O presidente da Associação, no entanto, não concorda com o exposto e falou, enfaticamente, que ocorrências desta natureza não são comuns porque existe uma legislação específica a se cumprir.
“Isso não procede. A vaquejada tem regulamentação que deve ser seguida e cumprida. Todos os animais são acompanhados por veterinários”, defendeu.
Cícero disse que as entidades ligadas à prática pretendem recorrer e acrescentou que, se o vaqueiro provocar algum tipo de ferimento ou lesão no animal, é automaticamente desclassificado da competição. “Em vários estados, a associação já firmou, inclusive, um Termo de Ajustamento de Conduta junto ao Ministério Público. Já recebemos, também, o apoio de autoridades e políticos como o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, e o governador de Alagoas, Renan Filho”, ressaltou.
Cavalcante também destacou o discurso e informou que a vaquejada está diretamente relacionada ao Nordeste e às práticas culturais arraigadas ano a ano e que o “esporte” gera emprego e renda para aqueles que mais precisam. “Recebemos a notícia com muita estranheza. É uma pancada forte. No Brasil, as vaquejadas geram milhares de empregos diretos. São pessoas que passaram a vida inteira fazendo isso e que não sabem fazer outra coisa. É como se tirasse o filho de um pai”, comparou.
Mobilizações
Na manhã da próxima terça-feira (11), vaqueiros alagoanos vão realizar um ato em frente ao Palácio República dos Palmares, no Centro de Maceió. Já no dia 25 deste mês, a mobilização será em Brasília. No último domingo (9), Renan Filho (PMDB) publicou o seu posicionamento sobre o caso nas redes sociais.
“Vaquejada é atividade recreativa e competitiva que virou esporte e tem seus heróis, os vaqueiros mais corajosos e hábeis. Sobretudo, vaquejada é festa em todos os cantos do Nordeste, herdeira das antigas “pegas de boi” na caatinga. Ela precisa ser preservada porque é um patrimônio cultural de Alagoas e de toda a região nordestina. A vaquejada movimenta a economia com eventos de grande porte, cria empregos e reúne famílias inteiras, dos avós às crianças, no aplauso aos seus vaqueiros. Vai daqui todo o nosso apoio aos defensores da vaquejada, para que o Poder Judiciário reconsidere e reconheça que o Nordeste e o Brasil têm direito de manter e preservar essa bela tradição. Contem comigo, heróis!”, expôs.
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