Crise econômica? Despesas de Renan e Collor no Senado dobraram em 2016
Desembolso do ex-presidente passou de R$110 mil reais com Correios no ano passado

Os gastos dos senadores Fernando Collor (PTC-AL) e Renan Calheiros (PMDB-AL) com Correios dispararam em 2016 em relação a 2015, segundo levantamento realizado pelo jornal Folha de São Paulo junto ao Senado Federal. No caso do ex-presidente da República, o desembolso passou de R$ 50 mil para R$ 110 mil. Já o presidente da Casa usou R$ 10 mil para entrega de correspondência em 2015 e R$ 85 mil em 2016.
Na soma de todos gabinetes, os gastos com Correios no Senado aumentaram de um ano a outro de R$ 2,9 milhões para R$ 3,1 milhões, corrigidos pela inflação. As despesas com correspondência entram na rubrica "outros gastos" do Senado. Cada parlamentar tem um limite de verba conforme o seu Estado de origem.
Para aqueles com domicílio eleitoral em Alagoas, como Renan e Collor, o limite por mês variou entre R$ 7.500 e R$ 6.000 aproximadamente no ano passado –R$ 90 mil por ano. Membros da Mesa têm direito a mais R$ 1.300 mensais.
Procuradas, as assessoria de ambos os senadores não responderam aos questionamentos da reportagem sobre o motivo do aumento.
Embora o Brasil tenha altos índices de engajamento em rede social, mais de 40% da população ainda não tem acesso à internet, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). A situação se acentua no Nordeste, base eleitoral de Renan e Collor. Lá, 55% da população está offline.
COM LUPA
O gabinete de Collor, que sofreu impeachment em 1992, é um dos mais caros ao Senado. No ano passado, ele usou o limite da cota parlamentar a que um senador de Alagoas tem direito, R$ 420 mil. Desse total, R$ 315 mil foram usados em serviços de segurança privada.
A empresa contratada, Citel Service, define-se como especializada em terceirização de mão de obra para condomínios, com serviços de segurança eletrônica e manutenção predial.
Como ex-presidente da República, Collor já tem direito a quatro servidores para fazer a sua segurança e apoio pessoal, além de dois assessores, dois motoristas e dois veículos oficiais. Ele empenhou R$ 106 mil em consultoria parlamentar e manteve 79 servidores em seu gabinete.
No total, o gabinete de Renan usou R$ 54 mil da cota parlamentar (R$ 16 mil com divulgação do mandato) e R$ 100 mil com "outros gastos". Seu gabinete e o escritório político em Maceió empregaram 20 pessoas. Não há informação sobre gastos da presidência da Casa, ocupada pelo peemedebista, disponível no site do Senado, como há em relação a cada gabinete parlamentar.
OUTROS SENADORES
E não foi apenas gastos com postagens que chamou a atenção. Apesar de o Brasil enfrentar uma grave recessão, os senadores dobraram os gastos de seus gabinetes em Brasília com combustível, viagens e alimentação. De acordo com o estudo, houve um salto de R$ 2,4 milhões, em 2014 (em valores atuais), para R$ 4,8 milhões, em 2016.
Com a rubrica "gastos extras", o Senado custeia o consumo em Brasília de combustível, material de limpeza, papelaria, alimentação, Correios e as viagens oficiais, autorizadas pela Casa. Há limites para cada serviço, nem sempre cumpridos. Os R$ 2,4 milhões gastos a mais seriam suficientes para construir quatro escolas com boas instalações ou remunerar por um ano 60 professores com o piso da categoria.
A rubrica dos gastos extras não está incluída na cota parlamentar a que cada senador tem direito, em geral usada em seu Estado de origem. Essa cota se destina a arcar com todo tipo de atividade do senador em seu Estado, como viagens de ida e volta de Brasília à base eleitoral, aluguel de escritório, alimentação e segurança privada.
No caso dessa verba para os Estados, os gabinetes, juntos, gastaram R$ 24 milhões, queda de 11% sobre 2014. A verba varia de R$ 21 mil no Distrito Federal a R$ 44 mil no Amazonas.
EXTREMOS
A forma de conduzir as contas de gabinete varia enormemente no Senado.
Ciro Nogueira (PP-PI), por exemplo, é um dos mais dispendiosos. Seu gabinete custou aos cofres públicos, em 2016, R$ 560 mil, mais o salário de R$ 34 mil e auxílios como o de moradia de R$ 5.500 mensais. Em cota parlamentar, Nogueira gastou R$ 360 mil –em um ano, um senador do Piauí tem direito a R$ 466 mil. Foram R$ 38 mil em passagens, mais R$ 250 mil com hospedagem, alimentação e locomoção. Ele não gastou nada com divulgação da atividade parlamentar.
Em julho, por exemplo, Nogueira gastou R$ 5.000 com alimentação. No dia 29, uma sexta, ele pagou R$ 966 em uma refeição na tradicional churrascaria Rodeio, em São Paulo. No domingo seguinte, dia 31, desembolsou R$ 978 no restaurante Bendito Fogão, na cidade de Picos (PI). Em setembro, o senador usou R$ 54 mil da cota. Despesas com combustível de aviação somaram R$ 38 mil. A verba de transporte aérea prevista para senadores do Piauí é de quase R$ 24 mil por mês.
Além da cota parlamentar, Nogueira desembolsou R$ 200 mil dos gastos extras em 2016, dos quais R$ 133 mil em viagens oficiais.
Em outro extremo, o senador Reguffe (sem partido-DF) custou R$ 514 ao Senado em 2016. Ele não fez uso da cota e não cobrou da Casa custos com combustível nem viagens oficiais. Os desembolsos feitos se resumem a água, material de limpeza e de escritório.
SENSO DE AUSTERIDADE
Segundo Cristovam Buarque (PPS-DF), os colegas de plenário não têm demonstrado senso de austeridade, a despeito da crise. "Não sinto um clima de redução de gastos em nada no Brasil. Não é só coisa de parlamentar. Existe a ideia de que o que é do Estado não é público", disse.
Buarque defendeu o fim de prerrogativas como as despesas com alimentação. E lamentou que o corte de gasto não esteja no debate sobre a sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência da Casa. "Não tem bandeira nem de corte de gastos nem de nada", disse em referência à provável candidatura de Eunício Oliveira (PMDB-CE). Morador de Brasília, Buarque gastou em 2016 quase R$ 110 mil com a cota em serviços de apoio parlamentar e R$ 18 mil em outros gastos, a maioria Correios.
Eunício não usou a cota. Em gastos extras, foram R$ 24 mil –R$ 17 mil com Correios.
OUTRO LADO
A assessoria de imprensa do Senado afirmou que vem tomando medidas para diminuir seus gastos em momento de recessão econômica. Entre outras medidas, a Casa mencionou a redução em 20% das cotas postais de cada gabinete em novembro de 2016 e a extinção do trâmite de documentos por meio físico, que passou a ser apenas digital.
"Ao longo dos últimos quatro anos, o Senado Federal tem empreendido uma ampla reforma, com impacto orçamentário importante nos próximos anos, para economizar recursos e racionalizar a estrutura da Casa", disse a assessoria, em nota.
O Senado citou como objetivo de sua administração a melhoria dos processos administrativos, eliminação de redundâncias, descentralização e transparência. Procurada pela Folha, a assessoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI) não havia se manifestado até o fechamento desta edição. Embora se diga comprometido com acesso público dos dados, o Senado cumpre parcialmente as previsões da Lei de Acesso à Informação.
A reportagem se deparou com dificuldades de acesso a dados relativos à rubrica "gastos extras", que não estão compilados em planilhas para manuseio público no site do Senado. Além disso, verbas empregadas para Correios estão sem padronização.
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