Contratos, extratos e notas reforçam teor de delações da Odebrecht
Ex-executivos da Odebrecht apresentaram contratos fictícios, comprovantes de transferências, extratos bancários, registros telefônicos e outros documentos para corroborar parte das acusações feitas nos depoimentos prestados nos acordos de delação premiada com a Lava Jato.
Os papéis serão usados pelo Ministério Público Federal na tentativa de provar os crimes narrados pelos colaboradores nos depoimentos.
Políticos envolvidos têm se apegado ao discurso de que a palavra dos delatores não é suficiente para provar as acusações –e que são necessários outros elementos que reforcem o que foi dito.
Parte dos papéis entregues tem indicativos mais concretos: extratos bancários, comprovantes de transferência ou até contratos fictícios.
Um deles, de R$ 9,6 milhões, foi assinado entre a Odebrecht e Duda Mendonça. Segundo os delatores, nenhum serviço foi prestado à empreiteira: parte desses recursos foi usada para camuflar o pagamento de uma dívida da campanha de Paulo Skaf (PMDB) ao governo de São Paulo em 2014.
A defesa de Duda diz que o marqueteiro não vai se pronunciar. Skaf, em nota, afirma que nunca pediu nem autorizou ninguém a pedir contribuições "que não as regularmente declaradas".
Expediente semelhante, dizem os delatores, foi usado para pagar serviços do publicitário Paulo Vasconcelos na campanha de Aécio Neves à Presidência, em 2014. Contratos e notas fiscais foram entregues ao Ministério Público. Aécio e Vasconcelos negam irregularidades.
Também foram documentadas transferências de contas da companhia no exterior para uma offshore atribuída ao publicitário João Santana, que fez campanhas para o PT entre 2006 e 2014, e recebeu do grupo também por eleições de outros países.
Outro grupo de documentos ajuda a reforçar a narrativa dos colaboradores de proximidade com os delatados e de influência sobre decisões. Neste estão trocas de e-mails entre empresários e agentes públicos, além de anotações e relações de telefonemas feitos para autoridades.
É o caso de duas planilhas anexadas por Marcelo Odebrecht com registro de telefonemas feitos a Antonio Palocci e ao Palácio do Planalto, em um número atribuído por ele a Dilma Rousseff. Serão usados para corroborar a versão dos delatores de que tinham acesso aos políticos.
Há ainda e-mails trocados entre o ex-presidente do grupo e Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva. As mensagens, que relatam reuniões e registram demandas, por exemplo, também são usadas em tentativa de mostrar que o grupo exercia influência sobre o Palácio do Planalto.
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