Eletrobras tem um 'monte de safados', diz presidente da estatal
O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, disse que a companhia tem empregados "inúteis" e que a sociedade não deveria pagar pelo que considera "privilégios" na estatal.
As declarações foram dadas em conversas com funcionários sobre o plano de corte de vagas na companhia, com o objetivo de reduzir o quadro de pessoal.
"Nós temos muito mais gerentes do que deveríamos, e nós temos um monte de safados que ganham, lamentavelmente, R$ 30 mil, R$ 40 mil, para ficar lá em cima, sentadinhos. Não estão nem aí para a situação", disse Ferreira.
"A sociedade não quer pagar pelos nossos privilégios", completou o executivo, que foi indicado ao cargo pelo presidente Michel Temer em junho de 2016.
As gravações foram divulgadas no site do jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmadas pela Folha.
"São 40% da Eletrobras, 40% que de cara são inúteis, ganhando gratificação, um telefone, vaga de garagem", continuou Ferreira. "A sociedade não pode pagar por vagabundo, em especial no serviço público", reforçou.
A Eletrobras tenta promover um programa de corte de custos, que inclui um programa de demissão voluntária e incentivos à aposentadoria de empregados.
O objetivo é tentar reduzir o quadro de funcionários. A companhia planeja ainda vender seis distribuidoras de energia localizadas nas regiões Norte e Nordeste.
Em maio, a empresa lançou um plano de incentivo a aposentadorias, com o objetivo de atingir até 4.600 empregados e garantir uma economia de R$ 920 milhões por ano.
As declarações levaram os empregados a promover uma paralisação nesta quarta-feira (21). Eles também são contra o plano de venda de ativos da companhia, que inclui ainda fatias em hidrelétricas.
Em nota, a empresa diz que Ferreira "reconhece que usou algumas expressões rudes em áudio divulgado por sindicalistas" e, por isso, gravou um vídeo interno para se desculpar com os empregados.
Diz ainda que os áudios foram tirados do contexto, pois foram gravados enquanto o presidente elencava "situações inaceitáveis dentro de uma empresa do porte da Eletrobras, como falta de comprometimento de alguns gerentes, descaso com as metas da companhia".
"Por isso, no intuito de alertar aos sindicatos para que eles também e manifestassem contra esse tipo de comportamento indevido, o presidente usou de maior veemência", diz o texto.
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