Rachaduras no Pinheiro é situação rara no Brasil, diz especialista
Estudioso defendeu a integração dos entes públicos para um laudo conclusivo
O Coordenador do Laboratório de Análises Estratigráficas (LAE) do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Francisco Pinheiro, afirmou que as fissuras que apareceram no bairro Pinheiro, em Maceió, tratam-se de uma situação rara no Brasil.
Durante reunião, realizada nessa sexta-feira (20), na sede da Prefeitura, o estudioso defendeu que é fundamental a integração dos entes públicos para que se chegue a um laudo conclusivo referente ao bairro Pinheiro.
“Fenômenos como este não são comuns. É preciso um estudo bastante aprofundado, levantamentos técnicos minuciosos, sobretudo a união de esforços e conhecimentos dos entes públicos e iniciativa privada. A partir disso, a médio ou longo prazo, poderá haver esclarecimentos precisos e definidas as necessidades de intervenção”, disse o especialista, destacando que devido à raridade, nenhum município do País possui um setor específico capaz de diagnosticar as causas de eventos como este.
Grupos de trabalho
O estudo que busca identificar as causas das fissuras no bairro do Pinheiro terá sequência, nos próximos meses, com a atuação de um grupo de trabalho composto por representantes da União, do Estado e do Município. Esta foi a orientação passada por uma equipe de professores doutores da UFRN, durante a reunião na Prefeitura de Maceió, com integrantes dos órgãos que têm competência sobre o uso do solo. Os pesquisadores estão na capital desde quinta-feira (19), quando iniciaram vistorias e levantamentos nos pontos em que houve o registro do fenômeno.

Francisco Pinheiro também enfatizou que as causas não devem ser esclarecidas de imediato, visto que é preciso um aprofundamento técnico para entender o fenômeno. Ontem, já teve início o estudo com o georradar GPR, um equipamento para investigação geofísica de subsuperfície para obter informações sobre o solo. “Continuaremos com o monitoramento da região e, a partir das informações obtidas, poderemos esclarecer as causas. Este é um serviço contínuo do qual necessitamos a integração da União, do Estado e do Município para que haja efetividade e maior precisão”, acrescentou, destacando que nenhuma Prefeitura do País tem capacidade.
Além do coordenador do LAE, também estão em Maceió o doutor em geologia Anderson Medeiros Souza, o doutor engenheiro-geólogo Yoe Alain Reys Pers e Washington Luís Evangelista Teixeira, que é engenheiro civil com doutorado em Geofísica. Durante a reunião, os pesquisadores da UFRN discutiram tecnicamente sobre a situação para alinhar o monitoramento que deve ser realizado a partir de agora, contanto com o apoio de instituições como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
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