Haddad recebe apoio dos Calheiros em Alagoas e é chamado de 'presidente'
Em encontro com o candidato à reeleição ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) foi tratado como "presidente" em pelo menos três oportunidades neste domingo (2).
"Eu presumo que todos estão aqui aguardando [para] ouvir o nosso presidente Haddad. E dizer que é um grande prazer, presidente, recebê-lo aqui em Alagoas", disse Renan Filho, ao lado do petista e de seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).
"Presidente Haddad, conte conosco em Alagoas", afirmou o governador. "Eu digo que, nós, aqui em Alagoas, também queremos contar com Haddad para dar à nossa educação o tamanho que ela precisa ter".
Registrado como candidato a vice na chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad está em Alagoas neste final de semana e participa de carreata com o clã Calheiros neste domingo (2).
Haddad evitou analisar a possibilidade de assumir a candidatura. Ele afirmou, mais uma vez, que o partido insistirá com Lula na eleição até onde for possível.
"A gente, desde janeiro, quando tudo começou a parecer estranho, a condenação lá do TRF-4 [Tribunal Regional Federal da 4ª Região], nós fizemos um pacto interno que não foi violado até hoje", disse. Em entrevistas anteriores, Haddad afirmou que o pacto é ir com Lula "até as últimas consequências".
Lula teve a candidatura barrada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na madrugada de sábado (1º), e o PT tem até 12 de setembro para substitui-lo. É possível que Haddad assuma a cabeça de chapa, levando a deputada estadual Manuela D'Ávila (PCdoB/RS) para a posição de vice. A decisão deve ser tomada em reunião com Lula nesta segunda-feira (3), na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Curitiba, onde ele cumpre pena desde abril.
'Inaceitável', diz Renan sobre decisão do TSE
Membro do partido de Michel Temer (MDB) e também candidato à reeleição, o senador Renan Calheiros afirmou seu apoio a Lula após a decisão do TSE de barrá-lo. "Temos uma posição bastante conhecida nacionalmente da defesa da candidatura do Lula", afirmou o senador. Ele disse que o ex-presidente é alvo de perseguição e que "essa coisa que está acontecendo com o Lula é inaceitável".
Renan pai também ofereceu apoio e "absoluta dedicação" a Haddad nesta campanha eleitoral. "Vamos estar onde houver necessidade, defendendo nossos pontos de vista".
Em nome de Lula, Haddad agradeceu. "Pela tarefa que, às vezes, é difícil, do ponto de vista da exposição pública", disse. "Para ele (Lula), um correligionário de longa data que vem a público, neste momento difícil, defendê-lo, ele sabe o quanto isso tem de valor".
Lula aparece como líder nas pesquisas de intenção de voto, mas seu provável substituto terá que provar bom desempenho. Nos cenários sem o ex-presidente, Haddad aparece com 4% das intenções de voto, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com 22%, Marina Silva (Rede), 18%, Ciro Gomes (PDT), 10%, e Geraldo Alckmin (PSDB), 9%.
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