Réveillon na avenida Paulista terá queima de fogos silenciosa pela primeira vez
Tradicional festa da Prefeitura de São Paulo terá apenas efeitos visuais
A gestão Bruno Covas (PSDB) fará a primeira festa de Réveillon na avenida Paulista com queima de fogos silenciosa.
Demanda de ativistas defensores de animais, o fim do barulho nas comemorações de fim de ano foi encampado pelo prefeito, que já sancionou neste ano uma lei proibindo fogos de estampidos. Sensíveis ao ruído, os cães sofrem no período.
A prefeitura também levou em conta os hospitais no entorno da Paulista e o incômodo de moradores da região. Os shows musicais, porém, continuarão —a prefeitura está em fase de negociação com os artistas.
"O problema dos fogos é o barulho. Os de efeito visual não têm esse problema. A gente precisa dar o exemplo", disse o secretário municipal de Turismo, Orlando Faria.
O próprio prefeito postou, em maio, uma foto com um cão em suas redes sociais e questionava o que a população achava do projeto de lei que veta fogos de estampido. Naquele mês, a lei foi sancionada.
A legislação proíbe "o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifícios, assim como de quaisquer artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso".
O valor da multa ainda não foi estabelecido, o que será feito com a regulamentação da lei. Por isso, quem soltar fogos com estampido, por enquanto, ainda não está sujeito a nenhuma punição. A lei é de autoria conjunta dos vereadores Reginaldo Tripoli (PV) e Mario Covas Neto (PODE).
Réveillon na avenida Paulista
Tripoli, de uma dinastia política ligada ao público amante de animais domésticos, afirma que a motivação inicial foi esse público, mas que descobriu que a demanda vai além.
"Quando começamos a estudar o projeto, a gente começou a enxergar outras áreas afetadas como o pessoal com síndrome de Down, Parkinson, os hospitais, os idosos. É muito maior o problema", afirma Tripoli. "Hoje, em São Paulo, segundo o IBGE, cerca de 60% dos lares têm animais domésticos. Quando há estampido, animal quer fugir, se machuca, causa um estrago muito grande."
O vereador afirma que, mesmo sem a regulamentação, a lei já tem influenciado a população a não utilizar mais fogos com estampidos.
Cidades mais procuradas para o Réveillon
Para Eduardo Tsugiyama, presidente da Abrapi (Associação Brasileira de Pirotecnia), os fogos são utilizados por momentos breves, insuficientes para prejudicar animais e seres humanos. "São apenas momentos de alegria e comemoração. Temos ruídos e barulhos constantes que são caminhões, motocicletas e o trânsito. Então, por que só os fogos?"
Ele afirma também que não há fogos completamente silenciosos. "Todos os fogos precisam da carga de propulsão que dá um barulho e da carga de abertura da bomba, que também faz barulho. Totalmente silencioso não existe, o que pode existir é com menos ruído", diz.
Tsugiyama afirma que a associação entrará com ação na Justiça para barrar a lei, uma vez que os fogos de estampido são permitidos pela legislação estadual e federal. " É uma lei municipal que está se sobrepondo às outras", diz.
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