Em recado a Malafaia, Olavo de Carvalho critica evangélicos
Segundo o escritor, evangélicos entraram tarde demais na luta contra o PT
Já em colisão com militares do governo Jair Bolsonaro (PSL), o escritor Olavo de Carvalho abriu nova frente de batalha contra um segmento visto como aliado natural do presidente, o evangélico.
Nas redes sociais, endereçou uma mensagem ao pastor Silas Malafaia, que dias antes criticara a ideia "simplesmente ridícula" de que Olavo teria mais peso na vitória de Bolsonaro do que os evangélicos.
Para o brasileiro radicado na Virginia (EUA), é preciso ressaltar que igrejas desse quinhão religioso chegaram atrasadas na luta contra um dos maiores bichos-papões da nova administração, o petismo.
"Prezado bispo Malafaia: ninguém pode negar que as igrejas evangélicas ajudaram um bocado na derrocada do petismo. Mas também não pode negar que elas entraram nessa luta com um atraso formidável. Pelo menos até 2009 ainda se davam muito bem com o partido governante. Nesse ano Lula em pessoa oficializou em lei a Marcha Para Jesus. Será que o senhor já esqueceu?"
A fala repercutiu no meio evangélico, ganhando destaque em portais como o Gospel Prime. E não é a primeira em que Olavo alfineta o segmento. Em transmissão ao vivo, já fez críticas a pastores e a discípulos seus que os escutam. O vídeo foi compartilhado em 2017 com o jocoso título de "AstrOlavo de Carvalho detonando os evangélicos".
O escritor, que dá cursos de filosofia online e presencial, disse que seus discursos se baseiam na "autoridade dos fatos, dos documentos, dos argumentos da racionalidade, etc, etc".
Afirma que, na primeira empreitada eleitoral de Lula, ele foi exceção entre os colegas de pastorado. "Em 1989 eu não possuía nenhuma relevância na liderança evangélica, tinha 8 anos como pastor. Minhas posições não possuíam nenhuma influência na comunidade evangélica."
Naquele pleito, gigantes como a Igreja Universal do Reino de Deus fizeram forte campanha contra o petista, satanizado pelo segmento. O líder da Universal, bispo Edir Macedo, chegou a declarar que, "após orar e pedir a Deus que indicasse uma pessoa, o Espírito Santo nos convenceu que Fernando Collor de Mello era o escolhido".
Malafaia também apontou que, em 1994 e 1998, a maioria dos evangélicos embarcou na candidatura de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ele inclusive.
A simpatia por Lula no bloco religioso inflou em 2002, embora muitos fiéis tenham visto um alento em Anthony Garotinho, o primeiro candidato evangélico de peso a disputar uma campanha presidencial no país.
Macedo e Malafaia endossaram o petista, mas se dividiram quanto à sua sucessora, Dilma Rousseff: o bispo ficou do seu lado, e Malafaia, no do tucano José Serra.
Em 2018 os humores evangélicos definitivamente se uniram em torno do presidenciável do PSL, com a maioria dos bispos, pastores, apóstolos e missionários fazendo campanha aberta por Bolsonaro, que se declara católico e tem esposa e filhos evangélicos.
Segundo pesquisa Ibope que detectou queda de 15 pontos na aprovação do presidente, evangélicos são o bloco que mais apoia Bolsonaro: 61% têm boa avaliação pessoal dele.
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