Professores, técnicos e alunos da Ufal fazem assembleia contra corte de verbas
Ato aconteceu, na tarde de quinta-feira (9), no hall da Reitoria
Aconteceu, na tarde de quinta-feira (9), no hall da Reitoria, a Assembleia Unificada contra o bloqueio no orçamento da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), pela Associação dos Docentes da Ufal (Adufal) e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Ufal (Sintufal), o ato, inicialmente, iria ocorrer no Auditório Nabuco Lopes (Reitoria), mas precisou ser transferido para a área externa, pela quantidade expressiva de participantes.
Ao longo do ato, diversos estudantes, professores e servidores técnicos fizeram falas em defesa da autonomia universitária, da educação pública e da própria Ufal. “A Universidade pública é de qualidade em ensino, pesquisa e extensão. Não somos uma fábrica de diplomas e precisamos expor e valorizar a nossa produção acadêmica, nossos serviços, nosso valor perante a sociedade”, afirmou o professor
Outros realizaram discursos emocionantes sobre como a Universidade Federal de Alagoas foi um catalisador de mudanças em suas trajetórias pessoais. “Eu sou pobre, bicha, filho de camponesa, sem um real no bolso. Para mim, o ensino público superior fez toda a diferença. E saindo do discurso pessoal, essa mudança de vida que a educação proporciona precisa continuar acontecendo na vida de muitos estudantes”, afirmou Luciano Amorim, docente do Campus Arapiraca.
“Eu vejo aqui a Ufal mudando a vida das pessoas. Temos estudantes aqui do Pré-enem Comunitário presentes, provando que a Universidade é importante até pra quem ainda nem faz parte dela ainda. Entrei aqui, no curso de jornalismo, e estou saindo muito em breve. Mas precisamos lutar pelos que virão. Não só pelo direito de entrar, não, mas, principalmente, pelo direito de permanecer”, afirmou Lysanne Ferro. No protesto também foram proferidas diversas palavras de ordem como “Eu defendo a Ufal”, “Educação não é mercadoria” e “A Ufal resiste”.
A assembleia resultou em sete encaminhamentos sobre o assunto que foram votados pelos inscritos das três categorias. Com isso, foi definida a adesão da Ufal à Paralisação Nacional, que acontecerá na próxima quarta-feira (15), além da organização de atos públicos em Maceió e em Delmiro Gouveia. Também foi aprovada, para o mesmo dia, uma exposição de pesquisas e atividades de extensão dos estudantes da Universidade no Calçadão do Comércio, levando a importância do que é produzido na Ufal para o público externo.
Os participantes votaram ainda por um calendário de mobilizações com diversas frentes, como a ida de grupos ao aeroporto para receber parlamentares e pressionar contra a reforma da previdência e contra os bloqueios na educação; e atos em defesa da educação pública a partir de amanhã até o dia da Paralisação Nacional.
A reitora, Valéria Correia, avaliou positivamente os resultados da Assembleia Unificada de hoje. “Penso que é hora de união em defesa da Universidade Pública brasileira e dos Institutos Federais. E o posicionamento dos três segmentos, articulados, e também da nossa Gestão, em defesa da Universidade é muito importante porque é uma forma de sensibilizar a sociedade e o próprio Ministério da Educação (MEC) sobre quanto esse corta inviabiliza o funcionamento das IFES e o nosso valor para a sociedade. Esse ato foi uma defesa, um abraço interno do que a Ufal significa, e precisamos engajar a sociedade sobre a importância que temos para gerações e gerações de alagoanos.”, finalizou.
No começo da noite, grupo seguiu em direção ao Restaurante Universitário (RU) para promover o diálogo com estudantes que não puderam estar presentes no ato de hoje.
Entenda a situação
O bloqueio dos recursos anunciado pelo Ministério da Educação no último dia 30 atingiu todas as instituições Federais de ensino superior do país. A medida afetou ainda os Institutos Federais e escolas de ensino fundamental e médio como o Colégio Federal Dom Pedro II, no Rio de Janeiro. Para a Universidade Federal de Alagoas, que está entre as 20 instituições mais afetadas pelo corte, a decisão do MEC significou um corte de R$ 36,6 milhões, somente em custeio, o que pode representar dificuldades para o pagamento de contrato de terceirizados e de fornecimento de energia elétrica e água.
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