Grupo holandês desiste de comprar fatia da Odebrecht na Braskem
Avaliação da LyondellBasell é que a fatia pode ficar mais barata no futuro
A holandesa LyondellBasell e a Odebrecht S.A. anunciaram nesta terça-feira (4) que encerraram as negociações sobre a aquisição da fatia do grupo baiano na Braskem. A Odebrecht é a controladora da empresa petroquímica com 50,1% do capital votante. A Petrobras detém 47%.
As negociações se estenderam por um ano e estiveram a ponto de fechar em alguns momentos. Todavia, conforme pessoas próximas às discussões, a LyondellBasell desistiu da transação por causa da complicada situação financeira do grupo Odebrecht.
A avaliação na companhia holandesa é que a fatia da Odebrecht na Braskem pode ficar mais barata no futuro. Atualmente os papéis estão bastante valorizados por causa do bom momento vivido pelo setor. Como a petroquímica é uma atividade de poucas empresas globais, não existem muitos compradores potenciais.
A venda da fatia na Braskem era fundamental para tentar equacionar as dívidas bilionárias do grupo Odebrecht, que se tornaram mais difíceis de pagar ou refinanciar por causa da crise enfrentada desde a Operação Lava Jato. Boa parte das ações na Braskem já foi, inclusive, empenhada em garantia aos bancos, principalmente Bradesco e Itaú.
Na semana passada, a Atvos, de açúcar e álcool, foi a primeira empresa do grupo Odebrecht a pedir recuperação judicial com uma dívida de R$ 12 bilhões. Outras empresas do grupo estão em situação bastante delicada, incluindo a própria holding. A OR, da área imobiliária, também pode vir a pedir recuperação judicial.
"A Odebrecht, como acionista controladora da Braskem, seguirá empenhada em identificar e perseguir alternativas que agreguem valor à sua participação na empresa, em linha com a estratégia de estabilização financeira do grupo", informou o grupo baiano por meio de comunicado.
"A união entre a LyondellBasell e a Braskem é atrativa por causa da complementaridade das duas companhias. No entanto, depois de cuidadosa análise, decidimos em comum acordo não levar a frente a transação", disse Bob Patel, CEO da empresa holandesa também por meio de nota.
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