Mais de 70% dos atendimentos no HGE são de casos clínicos
Entretanto, nem todos os pacientes estão dentro do perfil de urgência e emergência
Setenta e sete por cento dos atendimentos realizados pelo Hospital Geral do Estado (HGE) têm como porta de entrada o setor de clínico geral. Todavia, nem todos esses usuários assistidos pelo maior hospital do Estado apresentam doenças que deveriam ser tratadas na unidade, podendo receber os cuidados em unidades de saúde de baixa e média complexidade.
Para se ter ideia, somente nos quatro primeiros meses de 2019 o HGE realizou 52.951 atendimentos, sendo 38.722 ligados ao clínico geral. Nesse mesmo período no ano passado, o hospital fez 42.728, sendo 36.300 também relacionados a doenças vasculares, infecciosas, respiratórias, digestivas, circulatórias, oftalmológicas, parasitárias, entre outras.
Antônia da Silva Santos tem 64 anos e é avó de oito netos, sendo um deles de 16 anos, que mora com ela em São Miguel dos Campos. Ela conta que precisaram viajar para o HGE após este neto apresentar sintomas relacionados à dengue, como febre alta, dores pelo corpo e episódios de vômito.
“Eu vim porque não sabia o que fazer. Fiquei muito aperreada quando vi meu neto com quarenta graus de febre, fraco, sem melhorar das dores. Então decidi correr até o HGE, pois, onde busquei ajuda, não estava confiando no tratamento que indicaram. Agora estou mais tranquila, aguardando o resultado do exame de sangue, quando saberemos se o nível de plaquetas dele melhorou”, disse a avó do menino.
Casos como o do neto de Antônia da Silva Santos não deveriam ser atendidos no HGE, que é destinado a urgência e emergência em traumas. Entretanto, por ser uma unidade porta aberta, o atendimento não é negado a nenhum paciente, que na maioria das situações deveria procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no município onde reside.
“Agora a pouco atendi um senhor de 69 anos com tosse a mais ou menos vinte dias, fraqueza nas pernas, sem episódio de febre. Ou seja, não apresentou gravidade, tampouco característica para urgência ou emergência. Mas como somos uma unidade de portas abertas, não negamos atendimento a ninguém, então o médico prescreveu medicação, nebulização e, em seguida, mandou para casa com a receita médica”, relatou o coordenador de enfermagem da Área Azul, Sandro dos Santos.
Casos que apresentam menos gravidade podem ser assistidos pela Unidade Básica de Saúde (UBS) do Município de procedência do enfermo, pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) presentes em algumas cidades, nos cinco Ambulatórios 24 Horas de Maceió e nos hospitais e clínicas credenciadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Tomando como exemplo os pacientes mencionados, ambos podiam receber os cuidados qualificados da UPA ou do Ambulatório 24h, deixando o tempo, equipamentos e insumos disponíveis para outros doentes que necessitem do atendimento com maior agilidade.
“Temos buscado todos os dias melhor atender nossos doentes. O olhar de toda a equipe está atento a cada caso que chega ao hospital: na pediatria, na Área Azul e na Área Vermelha – clínica e trauma. O nosso objetivo é conseguir otimizar e modernizar o HGE para que possamos, dentro da nossa capacidade e perfil, atender mais pacientes com ainda mais qualidade”, afirmou a gerente do HGE, Marta Mesquita.
A gerente do HGE ressaltou que ele não deve ser procurado para consultas ou acesso a procedimentos simples, a exemplo de tratamento para dores de cabeça, diarreias, cólicas, assim como escoriações e pequenas suturas. Para estas situações, estão disponíveis os ambulatórios 24 Horas e as UPAs, que possuem equipes de plantão treinadas para avaliar todos os casos, encaminhando ao HGE somente os graves”, enfatizou Marta Mesquita.
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