FHC vê ‘tempestade em copo d’água’ no vazamento de conversas de Sérgio Moro
Entre os casos citados nos diálogos publicados pela "The Intercept Brasil", está a investigação do tríplex
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha que as conversas vazadas do então juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, com a força-tarefa da Lava Jato não comprometem as condenações proferidas.
Entre os casos citados nos diálogos publicados pela "The Intercept Brasil", está a investigação do tríplex cuja propriedade, atribuída a Lula, resultou na sua prisão e condenação.
Disse FHC ao blog: "O vazamento de mensagens entre juiz e promotor da Lava-Jato mais parece tempestade em copo d'água. A menos que haja novos vazamentos mais comprometedores. Não alteram, na substância, como escreveu Celso Rocha Barros, os motivos para a condenação, apesar de revelarem comentários impróprios, dados os participantes."
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completa:
"Se formos incriminar ou julgar os atores da política nacional — e da Justiça— pelas impropriedades que dizem, o que será de nossa democracia? E olha que nem sempre se expressam em conversas privadas…" O blog leu o artigo do sociólogo Celso Rocha Barros citado por FHC e que foi publicado hoje pela "Folha de S.Paulo".
O entendimento do que disse o autor é diferente da interpretação de FHC. Diz um trecho do artigo: "No geral, as conclusões gerais da Lava Jato sobre como o cartel das empreiteiras financiava todos os grandes partidos políticos continuam de pé.
Mas o quadro que emerge sobre o julgamento de Lula é ruim. Não há nada nos vazamentos que prove que Lula é inocente, mas há sinais fortes de que seu julgamento não foi normal.
Em uma conversa de 7 de dezembro de 2015, Moro deu uma pista relativa ao caso Lula para que Dallagnol investigasse: 'Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sido ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferência de propriedade de um dos filhos do ex-Presidente'.
Moro era o juiz do caso. Não poderia ajudar nem a defesa nem a acusação."
O sociólogo conclui: "É uma hora difícil para pedir nuance e equilíbrio, mas vamos lá: a Lava Jato não foi desmoralizada, ninguém foi inocentado.Mas há bons motivos para suspeitar que não houve equidistância no entusiasmo com que os dois lados da disputa política foram tratados. O ministro Sergio Moro parece ter cruzado linhas importantes no julgamento de Lula."
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