Davi Maia lembra passagem de 9 anos das enchentes que atingiram cidades dos vales do Mundaú e Paraíba
Na época, 19 cidades alagoanas foram atingidas e 15 decretaram estado de calamidade pública
A passagem dos nove anos das enchentes que atingiram as cidades nos vales dos rios Mundaú e Paraíba foi tema do pronunciamento do deputado Davi Maia (DEM), durante a sessão plenária desta terça-feira, 18. Na época, 19 cidades alagoanas foram atingidas e 15 decretaram estado de calamidade pública. A inundação deixou cerca de 30 mortos e aproximadamente 700 mil pessoas desabrigadas. “Lembro muito bem quando cheguei a Quebrangulo, às 2h da manhã, estava tudo escuro, quase não consegui atravessar a ponte do Rio Paraíba. A água alcançava mais de sete metros. Ao amanhecer a cidade estava devastada. O rio tinha varrido a cidade do mapa”, lembrou o parlamentar.
Naquele 18 de junho de 2010, as enchentes atingiram as cidades de Atalaia, Branquinha, Cajueiro, Capela, Ibateguara, Jacuípe, Joaquim Gomes, Jundiá, Matriz de Camaragibe, Murici, Paulo Jacinto, Quebrangulo, Rio Largo, Santana do Mundaú, São José da Laje, São Luiz do Quitunde, Satuba, União dos Palmares e Viçosa. “Naquela época, e tem que ser registrado, o ex-presidente Lula esteve em Alagoas, em tempo recorde, liberando créditos superior a R$ 1,7 bilhão. Nunca vi na história tanto dinheiro, em tão pouco tempo, ser liberado”, disse Davi Maia. “Foram construídas 17.438 casas durante esse processo, além de estradas e pontes, mas muito do que foi planejado ainda não foi feito”, criticou o parlamentar, citando como exemplo o hospital de Paulo Jacinto, dos matadouros de União dos Palmares e de Quebrangulo e dos prédios administrativos da Prefeitura de Branquinha.
“Postos de saúde foram construídos, mas grandes hospitais não foram refeitos. O grande problema é que, historicamente, a cada 10 anos, vivemos um período de enchentes no Estado de Alagoas”, observou Maia, contando que ontem, quando retornava de Minador do Negrão, o nível do rio Paraíba já estava aumentando. "Até hoje não foi criado o plano de Combate à Enchentes do Estado. São dez anos de descuido com a população ribeirinha”, cobrou o parlamentar.
Em apartes, a deputada Cibele Moura (PSDB) e o deputado Francisco Tenório (PMN) se solidarizaram ao pronunciamento de Davi Maia. Tenório observou que apesar do grande volume de recursos que vieram para Alagoas, os abatedouros que foram destruídos não foram reativados de forma legal. “Tanto é que na região de Chã Preta não tem se quer um abatedor funcionando e, assim sendo, vários animais chegam às feiras públicas abatidos clandestinamente”, disse Francisco Tenório, cobrando um posicionamento do Governo. O parlamentar registrou ainda que foi iniciada a construção de um hospital em Paulo Jacinto, com os recursos liberados para recuperar as cidades atingidas pelas enchentes, no entanto as obras nunca foram concluídas.
Ainda sobre o hospital de Paulo Jacinto, a deputada Cibele Moura contou que, na semana passada, esteve reunida com o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, e com o prefeito do município, Marcos Lisboa, para cobrar a conclusão das obras da unidade hospitalar. “A população não pode e não aguenta mais esperar. Não podemos ter um 'elefante branco' em uma cidade como Paulo Jacinto”, cobrou a deputada.
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