Violência doméstica é tema de audiência pública em Santa Luzia do Norte
Juíza Paula Góes, titular da Comarca, conduziu o evento, que teve como objetivo levar à comunidade discussões para combater esse tipo de crime
A Comarca de Santa Luzia do Norte realizou, nesta segunda-feira (5), audiência pública com o tema “Violência doméstica e familiar contra mulher e os meios de combatê-la”. O evento foi conduzido pela juíza Paula Góes, titular da unidade judiciária.
Segundo a magistrada, os casos de violência doméstica no interior são comuns. Neste ano, já são mais de 80 processos envolvendo agressões contra mulheres na comarca, fora os casos que ainda não foram denunciados.
“As vítimas ainda têm muito receio, medo, vergonha, humilhação, então, nosso objetivo hoje é trazer para a comunidade um esclarecimento maior sobre as formas de violência que existem nos dias atuais e as ferramentas que estão disponíveis para toda a população, para que a gente possa combater e mudar essa triste realidade”, explicou a juíza.
Durante a audiência, uma vítima de violência doméstica deu um depoimento sobre as agressões sofridas durante 20 anos de casamento. Maria Elizabete, de 41 anos, lembrou que a primeira agressão foi logo no início do casamento, quando estava grávida.
“Eu não lembro por qual motivo, mas ele me agrediu com um cabo de vassoura, e aí eu já percebi que não era legal essa situação. Procurei minha família, e eles disseram que eu tinha que conviver com a situação, procurar a Igreja, rezar, que isso ia passar. Mas sempre que tinha uns aborrecimentos desnecessários ele me agredia, me humilhava”, contou.
Os filhos também sofriam, e foi um deles que disse que denunciaria o pai. Maria Elizabete afirmou que as ameaças eram constantes, e que seu ex-marido dormia com uma faca embaixo da cama. “Às vezes ele sonhava que eu traía ele, ele acordava e descontava em mim”.
No dia de seu aniversário, Maria Elizabete recebeu uma ligação da filha, que pedia para ela voltar para casa porque o pai havia quebrado tudo. Ao chegar, foi ameaçada mais uma vez: ou ia embora ou o homem, que estava com álcool e fósforo na mão, ateava fogo nela. Após o ocorrido, Elizabete se separou, mas seu ex-marido continuou insistindo em voltar.
Na avaliação da secretária de Assistência Social de Coqueiro Seco, Alessandra Costa, discutir o tema da violência doméstica é importante para criar uma cultura de paz e equidade de gênero na sociedade, além de promover a independência da mulher que foi vítima.
“Muitas vezes a mulher não rompe com esse ciclo da violência porque não tem sua autonomia financeira e econômica, então a gente trabalha a organização do grupo das mulheres, a aptidão dessas mulheres para que elas possam ter sua autonomia econômica, financeira, andar com as próprias pernas e conseguir efetivamente dar esse grito de liberdade e romper com esse ciclo da violência doméstica”.
Durante o mês de agosto, a Comarca de Santa Luzia do Norte terá programação voltada para o Agosto Lilás, campanha do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de enfrentamento à violência doméstica. Serão promovidos mutirões, com psicólogos que atenderão as vítimas após as audiências, palestras com os agressores e palestra para estudantes da rede pública.
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