Empresa chinesa dribla censura para vender cursos de educação sexual
Oficina tem como ideia criar uma "comunidade do prazer"
Na entrada da sala um cartaz com ideogramas chineses diz “aqui, vocês concluirão sua transformação sexual”. Ali um grupo de 30 pessoas se reuniu para debater como satisfazer uma mulher no sexo, assunto tratado como tabu na China. A oficina foi organizada por Zhao Jing, 36 anos, fundadora da Yummy, empresa chinesa que vende brinquedos adultos e oferece cursos de educação sexual.
No país o debate público sobre sexo não existe e a educação sexual é tratada de forma superficial na escola. Segundo matéria sobre o assunto publicada pleo The New York Times, jovens chineses relataram que aprendem sobre sexo apenas conversando com amigos ou assistindo pornografias. “Para nós, as oportunidades de aprender a respeito do sexo são raras", disse a estudante Zhang Xiaoxiao, 22 anos, ao jornal.
Na oficina, um cenário incomum no país, com diversos brinquedos eróticos e vibradores espalhados pela sala. “Sempre me perguntei por que minhas reações durante o sexo eram diferentes daquelas que observava nos vídeos pornográficos", complementou Zhang, que participou do encontro acompanhada do namorado.
Segundo Zhao Jing a ideia foi criar uma “comunidade do prazer” em um espaço seguro e positivo para que chineses de todas as idades e orientações sexuais possam aprender mais a respeito do sexo.
E os dados são preocupantes. Um estudo de 2015 realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas revelou que metade dos adolescentes chineses que já haviam feito sexo não usaram métodos contraceptivos na primeira vez.
Outras estatísticas oficiais mostram que quase metade das nove milhões de mulheres que realizaram abortos na China em 2017 tinham menos de 25 anos. Já os novos casos de HIV aumentaram mais de um terço entre jovens de 15 a 24 anos, no período de 2011 a 2015.
A iniciativa de Zhao Jing ganha ainda mais importância ao ser realizada num momento em que o Partido Comunista intensificou seu controle rigoroso da sociedade civil, dificultando o espaço para o feminismo e outros tipos de ativismo. Uma média de 25% dos artigos online da Yummy são apagados pelos censores, que perseguem os materiais de conteúdo sexual.
Importância da educação sexual
Já no Brasil, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu a educação sexual nas escolas. “Acho que tem que fazer, não dá para não fazer”, disse à Agência Brasil, após ser questionado durante uma assinatura de parceria entre ministérios para a prevenção da gravidez na adolescência.
Se utilizar brinquedos educativos ajuda no desenvolvimento de certas habilidades e auxiliam o processo de aprendizado das crianças, saber como falar sobre sexualidade em cada fase da infância é essencial para evitar riscos como violência sexual, gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis.
Em entrevista à Revista Crescer, a pedagoga Caroline Arcari, autora do premiado Pipo e Fifi: Prevenção de Violência Sexual na Infância, destaca que “Precisamos superar o mito de que a educação sexual pode erotizar ou incentivar a iniciação sexual precoce”.
Já o psicólogo e professor da Universidade Harvard John T. Chirban autor do livro How to Talk with Your Kids about Sex afirmou à publicação que “os pais precisam entender o processo de desenvolvimento sexual de seus filhos para guiá-los”, pois mesmo que não intencionalmente, os adultos enviam mensagens sobre seus medos e crenças a respeito da sexualidade o tempo todo.
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