Editoras repudiam ato de censura promovido por Marcelo Crivella na Bienal do Livro do Rio
Além de exigir o recolhimento de unidades do gibi da Marvel Comics "A Cruzada das Crianças", prefeitura do Rio de Janeiro também organizou operação de fiscalização no evento
Além de anunciar na noite da última quinta-feira, 5 de setembro, que agiria para recolher todos os volumes do gibi encadernado “A Cruzada das Crianças” na Bienal do Livro do Rio, o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella também enviou hoje (6/11) ao evento equipes de fiscalização para apreender quaisquer publicações infanto-juvenis que venham a tratar de temas LGBT+ e à venda nos estandes da feira.
Enquanto os volumes remanescentes da história em quadrinhos da Marvel Comics iam se esgotando nas primeiras horas da Bienal, membros dos times da prefeitura foram avistados nos corredores dos eventos averiguando os estabelecimentos montados pelas editoras na feira e coletando qualquer livro que fosse relacionado a diversidade sexual. “Se ele não estiver seguindo as recomendações de estar lacrado e com a orientação quando ao conteúdo, nós vamos apreender esse material” declarou ao G1 o coronel Wolney Dias, subsecretário de operações da prefeitura do Rio e um dos encarregados da fiscalização.
A declaração está em conformidade com o que o prefeito declarou em vídeo publicado em seus perfis nas redes sociais, onde afirma que publicações do tipo “precisam estar em um plástico preto, lacrado, avisando o conteúdo” e também com relatos divulgados pelo público nas plataformas. No Twitter, usuários que visitam a Bienal afirmaram que a orientação das equipes é buscar qualquer livro com conteúdo de “cunho sexual” que não tenha explicitado na capa qualquer sinalização desta temática, além de orientar os estandes a tirar livros “pornô” e “LGBT” do alcance dos consumidores.
De acordo com o Universo HQ, esta é a primeira vez em 36 anos de história que a Bienal do Livro do Rio passa por qualquer tipo de fiscalização em seus estandes.
A situação obviamente não passou batido pelo mercado editorial brasileiro, que junto do público é a maior vítima do ato de censura empreendido pela prefeitura. Em suas contas no Instagram, Twitter e Facebook, diversas editoras como a Intrínseca, a Companhia das Letras, a Todavia, a Quimera, o Grupo Editorial Record, a Plataforma 21 e a Planeta dos Livros veicularam notas de repúdio à operação da prefeitura, apoiando também o posicionamento da Bienal contra o ato de Crivella e chegando até mesmo a acusar censura da parte do órgão.
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