Pesquisadores do Ifal desenvolvem robô sustentável para despoluição de praias
"Maria Farinha" funciona com autogeração de energia e tem inteligência embarcada
Resíduos de lixo orgânico e inorgânico. Animais mortos. E óleo, muito óleo. As praias do litoral alagoano têm dividido a beleza pela qual são conhecidas no Brasil e no mundo com problemas sérios de poluição e degradação ambiental. O episódio mais recente do acúmulo de manchas de óleo na costa brasileira, que só em Alagoas já atinge 30 pontos do litoral, reforçou o alerta não somente para ações de educação e preservação ambiental como para soluções urgentes e possíveis em casos de desastre ambiental. Cerca de 430 toneladas de petróleo e areia contaminadas foram retiradas de praias alagoanas, sendo a maior parte retirada manualmente por mutirões organizados pela população.
Em casos como este, a ciência pode ajudar com soluções sustentáveis, inteligentes e muito eficazes. O uso de tecnologia e inovação aliada à preservação ambiental levou um grupo de pesquisadores do Instituto Federal de Alagoas – Ifal a desenvolver um robô que pode substituir os tradicionais tratores utilizados pelo poder público no processo de despoluição de praias: é o robô Maria Farinha, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Redes Inteligentes - GPRI do curso de Eletrotécnica do Ifal Campus Maceió, que pode revolucionar o trabalho de despoluição de praias de maneira eficiente.
O projeto Maria Farinha surgiu da observação do processo tradicional de limpeza das praias, principalmente na orla de Maceió, entre a região da Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. “O que observamos foi um mecanismo pesado de limpeza com o uso de tratores caros e que causam impacto ambiental forte e a sedimentação do terreno da praia, além de insuficientes para uma limpeza efetiva, principalmente em casos urgentes como o do excesso de resíduos”, constata o professor de Eletrotécnica do Ifal Maceió Marcelo de Assis, pesquisador do GPRI e coordenador do projeto Maria Farinha.
Em parceria com o professor e coorientador da pesquisa André Canuto e com o estudante Jedson Viturino dos Santos, ambos do curso de Eletrotécnica do Ifal Maceió, Marcelo de Assis pensou numa solução inovadora para a despoluição de praias que fosse viável tecnicamente e que oferecesse maior eficiência na limpeza das praias. Utilizando-se de conhecimentos de robótica, computação embarcada e a expertise do Ifal em soluções de gerenciamento energético, o grupo criou um mecanismo autônomo para limpeza mais eficiente do que o trator e sem impactos ao meio ambiente: Daí surgiu o equipamento chamado Maria Farinha, uma solução inovadora e comprometida com a sustentabilidade.

O robô Maria Farinha tem um sistema de autossuficiência energética: ele usa placas solares e aerogeradores planos, o que garante que o funcionamento com energia solar e eólica suficiente, sem a necessidade de estar plugado em alguma tomada ou fontes de energia tradicionais. O robô “alimenta-se” de energia solar e eólica durante algumas horas e a transmite para os motores elétricos, permitindo sua movimentação e funcionamento. A coleta automática de lixo baseia-se nos movimentos do robô, composto de chassi, rodas leves, conectadas e vazadas e engrenagens em alumínio naval com solda TIG, e em um sistema mecânico de varredura com uma estrutura resistente adequada. A armazenagem do lixo é feita em um contêiner removível.
Outra inovação do robô Maria Farinha reside na sua capacidade de ser um veículo autônomo com inteligência embarcada: existe uma central de processamento imersa no equipamento e composta por um sistema de sensores infravermelhos para detecção de obstáculos durante o processo de coleta de resíduos, além de câmeras embutidas para supervisão remota, sistema GPS para posicionamento da máquina, sistema Wi-fi para conexão com um servidor central e protocolo TCP-IP para conexão remota com os centros de supervisão. Este conjunto de tecnologias integradas processa as informações usando algoritmos de inteligência artificial capazes de redefinir rotas a serem percorridas pelo robô, reconhecer ciclos marinhos e identificar e diferenciar o material que está no chão da praia.
A inteligência embarcada do robô também está relacionada a um sistema de sensoriamento remoto para captação de informações sobre o meio ambiente como: nível da maré, condições climáticas e temperatura, condições de vida marinha e o monitoramento do nível de limpeza da praia, incluindo a transmissão de imagens em tempo real. As imagens e informações obtidas são transmitidas via Internet para computadores de uma central de monitoramento, que armazena os dados captados pelo Maria Farinha, permitindo novas reprogramações e ajustes no equipamento, e redefinição na rota de coleta do lixo, caso necessários.
Veja também
Últimas notícias
Congresso dos Municípios Alagoanos começa com mais de 5 mil inscritos de 18 estados
Ônibus que saiu de Arapiraca e tombou em MG era clandestino e acumulava cerca de 30 autuações
Presidente da AMA defende uso de avaliações externas como estratégia de gestão educacional
Polícia Civil prende condenado por tráfico de drogas em Craíbas
Associação Comercial de Maceió oferece atendimento gratuito para regularização de MEI
Em oitiva de Felca, promotor cobra juiz: “partes perguntam primeiro”
Vídeos e noticias mais lidas
Cobranças abusivas de ambulantes em praias de AL geram denúncias e revolta da população
Corpo encontrado no Bosque das Arapiracas apresentava sinais de violência
Após bebedeira, dois homens se desentendem e trocam tiros em Traipu
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
