‘Impeachment é uma possibilidade’, diz Collor sobre Bolsonaro
Criticou tratamento dado ao PSL
Ex-presidente da República, o senador Fernando Collor (Pros-AL) afirmou em entrevista publicada pelo jornal O Globo neste domingo (17.nov.2019) que vê semelhança entre os “erros”cometidos por seu governo e o atual. “[Estamos] revendo 1 filme que a gente já viu”, disse.
Collor falou que é parecido o tratamento que ele deu ao seu então partido, o PRN, e aquele que está sendo dispensado pelo presidente Jair Bolsonaro ao PSL. “Em outubro de 1990, nós elegemos 41 deputados. O pessoal queria espaço no governo, o que é natural. Num almoço com a bancada, eu disse: “Vocês não precisam de ministério nenhum. Já têm o presidente da República”. Erro crasso”, afirmou.
Nesta semana, Bolsonaro anunciou a saída do PSL e disse que pretende criar uma nova legenda.
Para o senador, “o que está acontecendo com o Bolsonaro é a mesma coisa.” Ele disse ser “verdade”que a “bancada do PSL foi eleita na onda bolsonarista”. Apesar disso, de acordo com Collor, o atual presidente “tinha que ter dado prioridade aos 53 deputados” que o partido elegeu logo que assumiu o mandato.
“E, a partir desse núcleo, construído a maioria para governar. Ele perdeu esse momento. Agora reúne a bancada para dizer que vai sair do partido? Erro crasso. Estou dizendo porque eu já passei por isso. Estou revendo 1 filme que a gente já viu. Vai ser 1 desassossego para ele”, falou Collor.
Questionado sobre qual seria o futuro do governo, Collor disse que “não vê como possa dar certo”. Acrescentou: “São erros primários. Bolsonaro esteve na Câmara por 28 anos, viu como se forma 1 movimento numa casa em que o chefe do Executivo não dispõe de maioria.”
Para o ex-presidente, Bolsonaro precisa “entender algo fundamental: o presidente da República é o líder político da nação. Como líder, ele tem que fazer política. E política se faz por intermédio dos políticos e dos partidos.”
Collor também afirmou que o impeachment de Bolsonaro “é uma das possibilidades”. Isso porque, de acordo com o senador, o atual presidente “não vem se preocupando com a divisão da sociedade brasileira, que se aprofunda. O discurso dele acentua a divisão. Com a soltura do Lula, a tendência é que essa divisão se abra ainda mais.”
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