Após cinco meses, depredação de terreiro continua sem resposta
“O ano de 1912 já passou e não podemos deixar voltar”, disse a líder religiosa
No dia 13 de maio deste ano, um terreiro foi atacado e depredado no bairro da Cidade Universitária, em Maceió. Após quase seis meses, a líder religiosa Veronildes Rodrigues da Silva, a Mãe Vera, nunca recebeu noticiais sobre o andamento das investigações.
O 7Segundos tentou entrar em contado com 10º Distrito Policial da Capital – que está responsável pelo caso – para saber sobre o andamento do inquérito policial, mas não obteve êxito.
“Estamos levando a vida, mas sem nenhuma informação sobre isso. Minha glicose vive subindo e fico nervosa relembrando o que aconteceu. Nem o da Mãe Naiusa, que foi no começo do ano, foi resolvido ainda. O medo de acontecer novamente é constate”, relatou Mãe Vera.
De acordo com ela, a estrutura danificado na parte do assentamento foi reconstruída. Na época, Mãe Vera procurou a Defensoria Pública e a Comissão da Igualdade da Social da OAB-AL para que o ato intolerância religiosa não ficasse em pune.
“A gente não tem notícias se houve andamento nas investigações. Durante as Caravanas em Defesa da Liberdade Religiosa, a gente orienta para que eles colham testemunhas para que inquérito possa se desenrolar, para que a gente possa cobrar da Polícia Civil”, explicou o defensor Othoniel Pinheiro.
O Projeto Caravanas em Defesa da Liberdade Religiosa, uma parceria entre a Defensoria Pública e o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), foi criado após o crime de intolerância religiosa cometido em maio.

O objetivo é garantir a liberdade de culto em Alagoas, promover a conscientização acerca da liberdade de consciência e crença dos cultos religiosos, garantir os direitos humanos e cidadania, e ampliar a presença do Judiciário e da Defensoria junto aos grupos religiosos de matriz africana.
Apesar de não enxergar evoluções no seu caso em particular, Mãe Vera se sente mais segura após a iniciativa.
“O ano 1912 [Quebra de Xangô], quando pai de santo pegava filhos de santo e tinha que sair de Maceió, já passou e não podemos deixar voltar. Depois da Caravanas, os babalorixá e as yalorixá estão se sentindo mais seguros, sem medo. Agora, a gente tem por quem gritar”, afirmou.
Investigação
O 7Segundos entrou em contato com a assessoria de Polícia Civil para conseguir mais informações sobre as investigações e aguarda resposta.
Quebra de Xangô
Em fevereiro de 1912, a oposição ao govenador da época, Euclides Malta, invadiu terreiros de cultos afro-brasileiros. Os praticantes de religiões de matriz africana foram espancados, perseguidos e presos.
De acordo com pesquisadores, o episódio foi uma perseguição ao governador que matinha boa ligação com líderes de cultos afro-brasileiros.
Veja também
Últimas notícias
Líder do Governo, Marcelo Palmeira destaca São João Massayó como motor do turismo, cultura e economia de Maceió
Homem de 68 anos é preso em flagrante por estuprar cachorro no DF
Confira os números da Lotofácil 3712 sorteados nesta terça (16/6)
Jovem em surto psicótico é contido pela polícia no município de Pariconha
Ministro da Saúde ressalta importância do programa Mais Médicos para a população de AL
Gastronomia alagoana está em luto pelo falecimento da chef Juliana Almeida em Maceió
Vídeos e noticias mais lidas
Profissionais de saúde são contratados para substituir doentes por covid-19
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Após demissão de Moro, Bolsonaro fará declaração às 17h
Fernando Barbosa, fundador do tradicional Bar do Caldinho, morre aos 76 anos em Arapiraca
