Ancine proíbe servidores de exibirem filme brasileiro inscrito no Oscar
Funcionários iam assistir ao filme 'A Vida Invisível', de Karim Aïnouz, como parte de um processo de capacitação, mas setor administrativo vetou o evento
A Secretaria de Gestão Interna da Ancine vetou a exibição do filme ‘A Vida Invisível’, do diretor Karim Aïnouz, para servidores da agência. O evento serviria para a capacitação dos funcionários que trabalham no órgão responsável por pensar políticas públicas e por fiscalizar a indústria cinematográfica nacional.
‘A Vida Invisível’ foi o filme brasileiro inscrito para a disputa do Oscar em 2020. Para concorrer à estatueta, a película terá de ser aprovada para uma das cinco vagas ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Foram inscritas 93 produções nesta fase preliminar.
Servidores da Ancine, em condição de anonimato, disseram que a mostra estava prevista para esta quinta-feira, 12. Os funcionários organizam mensalmente a exibição de um filme nacional e realizam um debate com a presença de produtores. O evento faz parte de um processo de capacitação anual ao qual os servidores são submetidos para progressão de cargo.
A Secretaria de Gestão Interna, chefiada por Cesar Brasil Gomes Dias, informou internamente que o evento não poderia ser realizado porque o projetor da sala de exibição estava quebrado. Procurado por servidores, o funcionário responsável pela manutenção do local disse que não havia nenhum problema técnico com o aparelho.
Entre as atrizes que atuam em ‘A Vida Invisível’ está Fernanda Montenegro, que foi xingada de “podre” e “mentirosa” pelo atual secretário de Cultura, Roberto Alvim. Ele hostilizou a atriz em setembro, quando exercia o cargo de diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte. Alvim havia se irritado com uma capa da revista ‘Quatro Cinco Um’, na qual Fernanda Montenegro aparecia vestida de bruxa e em cima de uma fogueira de livros.
No dia 29 de novembro, mais de 100 quadros com pôsteres de filmes nacionais foram retirados de prédios da Ancine e levados para um depósito no centro do Rio de Janeiro. As molduras estavam desde 2002 nas áreas comuns da agência. Também foram apagados do site da Ancine todos os pôsteres de lançamentos brasileiros. O órgão negou que a medida foi tomada para retaliar filmes que expressam posições políticas contrárias ao governo de Jair Bolsonaro.
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