Tendência do STJ é não federalizar caso Marielle, avaliam ministros
A decisão sobre a federalização do caso caberá à Terceira Seção do STJ. A expectativa de integrantes do tribunal é que a análise ocorra ainda neste semestre.
Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ouvidos reservadamente pelo Estado/Broadcast avaliam que, hoje, a tendência do tribunal é não retirar das autoridades do Rio as investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
O processo ganhou um novo capítulo após o Estado revelar nesta terça-feira, 21, um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que se posiciona contra a federalização do caso, endossando a opinião do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.
A decisão sobre a federalização do caso caberá à Terceira Seção do STJ. A expectativa de integrantes do tribunal é que a análise ocorra ainda neste semestre, com a rejeição do pedido apresentado pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que alegou que deixar o inquérito com a Polícia Civil do Rio podia gerar "desvios e simulações".
Moro mudou de opinião e passou a se opor à federalização das investigações do assassinato. Em documento obtido pelo Estado, o Ministério da Justiça defende prestigiar a posição dos familiares de Marielle, que são contrários à transferência do caso. A pasta de Moro subsidia o parecer da AGU, que reforçou a nova manifestação do ministro e também se colocou contra retirar a apuração das mãos das autoridades do Rio.
"Como bem ressaltado pelo Ministério da Justiça (..), os próprios familiares da ex-vereadora posicionaram-se desfavoravelmente à federalização das investigações e persecução penal, fator que, acreditamos, deve ser considerado e prestigiado pelo STJ", destaca a AGU.
"Ademais, não se pode perder de vista que eventual deslocamento de competência à revelia da vontade de familiares das vítimas pode sinalizar futuro questionamento da conduta da União, sob eventual alegação (ainda que infundada) de que pode repercutir negativamente sobre as atividades investigativas e punitivas do Estado do RJ, no caso", afirma o parecer.
Discussão técnica e jurídica
Quatro ministros do STJ ouvidos pelo jornal, no entanto, alegam que a discussão é técnica e jurídica, minimizando o impacto do posicionamento da família sobre a controvérsia. Para um ministro, "trata-se de questão eminentemente jurídica". "Os executores desse suposto crime já estão presos. A lei que criou a federalização é para ser aplicada na excepcionalidade", afirmou ele, apontando que "aparentemente não há motivos para o deslocamento".
Um segundo ministro afirma que a contrariedade dos familiares de Marielle à federalização não é um argumento "jurídico", mas nada impede seja utilizado como "reforço argumentativo" no sentido de que não há suspeita alguma de que as investigações estão sendo mal conduzidas. Esse ministro concorda que o pedido da PGR deve ser rejeitado pelo STJ.
Dois outros ministros, que também apostam na continuidade das investigações com as autoridades do Rio, avaliam que a opinião da família "não deveria ter nenhum peso" e que a discussão é "técnica", para ver "ser se está havendo um atraso ou incapacidade de investigação injustificáveis".
Veja também
Últimas notícias
Banda da Polícia Militar de Alagoas anuncia estreia do projeto “Caravana Musical” em Maragogi
Criminosos usando fardas de gari executam homem dentro de depósito em Maceió
Governo de AL concede desconto na renovação de outorga dos transportes complementares
Operação em Quebrangulo desarticula ponto de tráfico e prende foragidos por homicídio
Moradoras de Delmiro Gouveia estão entre mortos em acidente com ônibus em MG
Mototaxistas e motofretistas economizam R$ 530 em taxas do Detran/AL em 2026
Vídeos e noticias mais lidas
Cobranças abusivas de ambulantes em praias de AL geram denúncias e revolta da população
Corpo encontrado no Bosque das Arapiracas apresentava sinais de violência
Após bebedeira, dois homens se desentendem e trocam tiros em Traipu
Luciano Barbosa irá assinar ordem de serviço para o início das obras na Avenida Pio XII
