Bebê nasce dentro da bolsa amniótica durante parto raríssimo em SP
De acordo com o obstetra, caso só acontece em 1 a cada 80 mil partos
Após se preparar nove meses para a chegada do filho em Praia Grande, no litoral de São Paulo, a empresária Janaína Fernandes Costa, de 34 anos, teve uma enorme surpresa no momento do parto: o filho nasceu empelicado. A situação ocorre quando a bolsa amniótica não rompe antes do nascimento, uma condição rara que, segundo especialistas, acontece em apenas 1 a cada 80 mil partos.
Lucas Fernandes de Lisboa Costa nasceu no último sábado (22), às 11h55, no Hospital Ana Costa, em Santos. De acordo com a empresária, dar à luz um bebê empelicado foi uma surpresa. "Na hora eu não conseguia ver nada. Só reparei a movimentação e escutava os comentários. Vi a animação dos enfermeiros e médicos, que filmavam e tiravam fotos", relata.
Conforme explica o obstetra Guilherme Pereira Martins, o parto empelicado é aquele que ocorre com as membranas amnióticas (popularmente chamada de bolsa) íntegras. "No parto normal é realmente um evento raro e sem explicação conhecida. Já na cesárea, sua principal indicação seria a proteção da transmissão vertical (mãe para o bebê) nos casos em que existir algum risco dessa via de transmissão, como por exemplo uma gestante soropositivo", explica.
Esse não foi o caso de Janaína, que não tinha nenhuma doença que poderia ser transmitida para a criança, mas precisou de uma cesárea de emergência devido a hipertensão gestacional. "Por se tratar de uma manobra de certa dificuldade técnica e que não trás nenhum risco ao bebê, eu e o médico residente do hospital optamos em tentar fazer a extração fetal sem romper as membranas amnióticas e conseguimos. O bebê nasceu empelicado", diz Martins.
De acordo com o obstetra, o parto vaginal empelicado é muito raro, com incidência de 1 a cada 80.000 nascimentos. "Já vi em caso de prematuros extremos. Em uma gestação a termo nunca vi. Eu como obstetra, apesar de já ter participado do nascimento de muitas crianças nesses anos de formado, procuro ver o parto, independente de vaginal ou cesárea, como um evento único e especial para aquela família", destaca.
Para Janaína, a condição rara em que o filho veio ao mundo foi de muita emoção. "Eu desconhecia essa possibilidade e fiquei impressionada quando pesquisei, ainda mais por saber a raridade. Depois que passou o efeito da anestesia, o obstetra me explicou tudo. Eu só vi que ele nasceu empelicado pelo vídeo. Achei a coisa mais linda e fiquei emocionada", relembra.
A estudante Rafaela Fernandes Costa Martins, de 17 anos, irmã do bebê, assistiu todo o parto e relata que não imaginava que ficaria tão emocionada. "Sentei ao lado da cabeça da minha mãe para ajudá-la a ficar mais relaxada. Quando os médicos disseram que eu poderia levantar, vi meu irmão deitadinho dentro da bolsa. Foi a coisa mais linda. Todos estavam tão impressionados e emocionados quanto eu, filmando e tirando foto. Não sabia que era raro, mas achei muito lindo", finaliza.
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