Mães enfrentam morte de perto na pandemia e celebram vitória ao lado da família
Mulheres que estiveram cara a cara com a Covd-19, só se preocupavam com uma coisa: seus filhos
No ano passado, poucas pessoas acreditariam que neste domingo (09) seria comemorado o segundo Dia das Mães em meio à pandemia da Covid-19. De lá para cá, foram mais de 400 mil mortos pela doença. Dentre as vítimas, muitas mães perderam seus filhos e muitos filhos ficaram órfãos.
O 7Segundos ouviu a história de mães, que apesar das dificuldades de enfrentar o vírus cara a cara, vão passar esta data ao lado de seus filhos.
A técnica de enfermagem Iris Vitorino, de 66 anos, passou mais de 50 dias internada com o novo coronavírus no Hospital da Mulher, em Maceió, entre abril e junho do ano passado. Ela passou o Dia das Mães de 2020 na UTI e conta que não se lembra de nada do que aconteceu.
“Vim abrir meus olhos no dia 8 de junho. Só me lembro de estar um pouco acordada quando vi que meu filho entrou na UTI. Olhei e disse ‘meu filho é você?’. Ele disse que sim e o perguntei como foi que eu tinha chegado lá. Foi muito difícil”, relembrou.
Iris, que ainda está de licença médica por causa das sequelas da doença, começou sentir os sintomas durante um plantão na Maternidade Escola Santa Mônica, local onde trabalha.
Ela disse que tinha tanto medo de se infectar que parou de assistir telejornais. Iris que conta que o medo se agrava quando pensa em seu filho, que é enfermeiro e também trabalha na linha de frente no combate ao vírus. “Eu fico muito preocupada com a possibilidade de ele passar pelo que passei. Sempre o peço que, pelo amor de Deus, tenha cuidado e trabalhe com toda a segurança”.

O 7Segundos também conversou com Cícera da Silva, de 44 anos, que contou a história da sua mãe, Maria do Carmo, de 68 anos, que passou de 50 dias internada por complicações da Covid-19 e ainda tem sequelas. Maria do Carmo contou à filha, que antes de ser intubada, acreditou que nunca mais veria o marido, filhos e netos.
“Na minha cabeça eu tinha infectado todos em casa e nunca mais iria ver minha mãe. Foi muito sofrido. Nós sentimos um vazio muito grande. Tudo na casa nos lembrava dela. Mas tínhamos confiança em Deus e oramos por todos que estavam na UTI”, disse a filha.
Cícera da Silva disse que a família passou o Natal separada da mãe e vão aproveitar este domingo para celebrar em dobro. “É fantástico. Nossa celebração será em dobro para agradecer a graça da recuperação da nossa mãe. Diante de tudo, ela ter tido sequelas que vão se resolver com o tempo, mas, principalmente, de ver que podemos dar esse abraço, esse carinho, que outras famílias, infelizmente, não podem. Não me sinto especial, mas me sinto grata”.
Com um filho de 4 anos e uma filha de 8 anos, a farmacêutica clínica do Hospital de Emergência Dr. Daniel Houly, Yolanda Cupertino, 38 anos, fala da saudade que sente deles durante os plantões na unidade de saúde.
“A saudade é grande, mas é aliviada por saber que estão bem e com saúde. Isso não tem preço. Ao chegar em casa, tento distribuir meu tempo cuidando dos meus filhos, marido, casa, cachorro e da minha saúde física e mental. Preciso estar com equilíbrio mental suficiente para no plantão seguinte cuidar do próximo”, contou.
Yolanda Cupertino se infectou duas vezes com a doença e conta que ao lado do esposo, que também trabalha na linha de frente, viveu dias de angustia e medo.
“Nós profissionais da linha de frente temos enfrentado muitos desafios e somos protagonistas do cuidado ao paciente. Lidar diariamente com a perda de pacientes é entristecedor e muito desgastante e sem dúvida é meu maior desafio. O que me dá forças para continuar é saber que meu trabalho pode contribuir de alguma forma para a saúde do paciente”.
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