Paulão não acredita na possibilidade de Renan Filho ser vice de Lula, em 2022
Deputado federal disse que o governador tem um bom nome, mas a realidade política do PT exige políticos de outras regiões do país
O deputado federal Paulão (PT) revelou, em entrevista ao Portal 7Segundos, nesta quarta-feira (09), que não vê espaço para que o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), dispute o cargo de vice-presidente numa eventual chapa encabeçada por Lula (PT) na disputa presidencial de 2022. Ele faz base governista e seu partido tem indicação no primeiro escalão do governo.
Conforme o parlamentar, é mais provável que Renan Filho dispute uma vaga no Senado Federal ou conclua seu mandato como governador. “A informação que eu sei é que ele é candidato a senador. Se ele não for candidato, ele irá exercer a sua atividade executiva até o final do seu mandato. Então, essa decisão ele ainda está dialogando, inclusive, com a base”, pontuou.
Paulão destacou que o ex-presidente tem admiração pessoal e política pelo governador de Alagoas, e pelo seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB), mas disse acreditar que a escolha não agregaria o suficiente exigido na composição de uma chapa.
“Ele [Lula] compreende que não é fácil essa quadra política, por quê? Pelo tamanho do estado de Alagoas. Na hora de você formatar uma chapa, Lula mesmo sendo uma pessoa que fez uma projeção política em São Paulo, a origem dele é de Pernambuco, então ele representa muito esse eleitorado nordestino. E na hora que você coloca um outro candidato a vice do nordeste, até que ponto amplia?”, justifica.
Para Paulão, um vice ideal para Lula deve surgir de outra região do país, que não seja o nordeste. “A gente tem desafios na principal região, que é a região Sudeste, onde os números não são idênticos ao Nordeste do Lula. Já temos um nível de particularidade, e a adesão do nordeste altíssima. Então, essa discussão passa muito em São Paulo, passa por Minas Gerais, e passa também pelo Rio de Janeiro”, explicou.
Embora tenha uma opinião formada sobre as necessidades do PT para a composição de uma chapa competitiva, Paulão destacou a capacidade política da família Calheiros. “O PT apoia a postura dele, de fazer parte do consórcio nordeste, ter uma visão de sociedade mais ampla, o seu pai ser parceiro num projeto na defesa da do estado democrático direito. Então, isso fortalece muito essa aliança. Pode ocorrer, sim, acho um bom nome. Agora, eu acho que a realidade política do partido é outro e ficaria uma chapa muito fechada”, opinou.
Por fim, o deputado petista criticou os posicionamentos do presidente Bolsonaro em diversos assuntos, principalmente, no enfrentamento à pandemia, e não o descartou como um forte candidato nas eleições de 2022.
“O Bolsonaro tem uma resiliência em torno de dez a quinze por cento, tem uma sociedade, uma elite brasileira muito conservadora e a gente sabe que isso sempre polariza e é por isso que o Lula tem ampliado a vantagem. O governador Renan, o senador Renan e o MDB de Alagoas têm sido parceiros, não só aqui em Alagoas, mas para o projeto nacional”, concluiu Paulão.
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