Petroleiros em greve denunciam assédio moral e insegurança no local de trabalho
Paralisação completou três meses no dia 31 de agosto
A paralisação dos petroleiros das unidades de Pilar e Furado, em São Miguel dos Campos, completou três meses no último dia 31 de agosto. A categoria decidiu entrar em greve em protesto contra a terceirização indiscriminada, as frequentes punições aplicadas aos trabalhadores e as práticas de assédio moral no ambiente de trabalho, informou o Sindicato dos Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL-SE).
De acordo com o Sindipetro AL-SE, as retaliações advêm da obrigação adicional imposta aos petroleiros de treinarem os funcionários terceirizados durante as atividades relacionadas ao plano de Passagem de Operação Segura (POS). Os trabalhadores criticam que esse procedimento não leva em conta critérios de segurança adotados pela própria Petrobrás em áreas operacionais de produção de óleo e gás.
Segundo o sindicato, o treinamento ocorre sem a observância das normas técnicas e padrões operacionais rigorosos, contribuindo para aumentar os riscos de acidentes ampliados nas unidades. Os petroleiros ainda denunciam a prática de assédio moral por parte da gerência da empresa, devido a recusa dos operadores em realizar serviços em condições inseguras.
“Como se não bastasse um cenário de tensões sociais e estresse que toma conta da categoria em razão da venda da Petrobrás em Alagoas, o clima existente nas unidades é de intensa violência moral contra os petroleiros que não se submetem a capacitar os terceirizados fora das normas de segurança. É nítido as perseguições sofridas por esses companheiros. Exemplo disso é a indicação desses operadores para trabalhar numa escala desumana e cansativa de seis dias consecutivos no turno da noite”, afirmou o diretor do Sindipetro AL-SE, Luciano Alves.
A categoria acrescenta que a situação atual evidencia um plano de substituição de mão de obra, em que petroleiros concursados darão lugar a empregados terceirizados, assim que for concretizado o controle das unidades por parte da Origem Energia - empresa que comprou todo ativo da estatal em Alagoas.
“O que é perigoso na realização do POS é a empresa exigir que se faça tudo a toque de caixa, sem levar em conta a segurança das unidades. Trabalhamos com válvulas de alta pressão e fluídos inflamáveis, portanto, qualquer descuido pode causar um acidente de grande proporção” destacou Luciano. Para o dirigente do sindicato, é preciso cautela acima de tudo e bom-senso em todos os momentos, porque a saúde mental dos trabalhadores está por um fio por causa das preocupações com as possíveis mudanças na vida familiar decorrentes da privatização da Petrobrás.
A greve segue por tempo indeterminado e conta com a adesão da maioria dos trabalhadores próprios das áreas operacionais. Os petroleiros querem a implementação de uma política efetiva de combate ao assédio moral, defendem a manutenção dos empregos e são contra a privatização da Petrobrás, como ocorreu com a venda dos ativos da estatal em Alagoas.
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