Deputados divergem sobre cota para acesso à cursos de pós-graduação
Pauta foi discutida na sessão desta quarta-feira (29), na Assembleia Legislativa
O deputado Cabo Bebeto (PTC) criticou, durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), nesta quarta-feira (29), a utilização de cotas raciais e de orientação de gênero para acesso à vagas em curso de pós-graduação em universidades federais. Parlamentares divergiram.
Bebeto usou como exemplo a oferta de vagas no mestrado na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). "A Ufal lança um edital para mestrado e doutorado em Letras e Linguística. São 60 vagas, 38 para mestrado e 22 para doutorado. Do total de vagas oferecidas, uma porcentagem delas está reservada para candidatos negros (20%), indígenas (10%), deficientes (10%), pessoas trans (10%), refugiados (10%) e; assentados (10%)", detalhou.
"70% das vagas para os cotistas, ou seja, querendo obrigar o cidadão a se encaixar no que eles querem segregar para que você tenha pelo menos a mesma oportunidade. Um apartheid do bem. Isso é um absurdo. Deixa eu dizer para você que indígena, que é negro, que é trans: você não é melhor do que eu em nada. Nós somos uma sociedade única com as nossas diferenças. Isso é inadmissível", disparou Bebeto.
Em aparte, Ronaldo Medeiros (MDB) divergiu do posicionamento de Bebeto. "O negro é historicamente escravizado, são os que mais morrem, os que mais moram em favelas, em locais que não têm acesso. Nós brasileiros temos uma dívida muito grande com os índios, com os negros. Eu não sei, Cabo Bebeto, o que Vossa Excelência tem contra essas parcelas da sociedade", disse.
"Imagine um filho meu, um filho de vossa excelência e um filho de alguém que mora na periferia, que não teve oportunidade de ter a escola que o filho de vossa excelência teve. As cotas são justamente para dar oportunidade aquele e aquelas que foram discriminados, oprimidos e continuam sendo oprimidos. Temos que louvar a atitude da universidade em incluir essas pessoas", completou Medeiros.
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