Coordenador do INEG/AL fala sobre as pautas do Dia da Consciência Negra
Ele cobra políticas públicas no âmbito estadual e municipal
O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro. O programa Na Mira da Notícia recebeu, nesta sexta-feira (19), o coordenador do Instituto do Negro de Alagoas (INEG/AL), Prof. Dr. Jeferson Santos, para falar sobre as pautas que esse dia traz à tona.
Também conhecido como Dia de Zumbi, esta data, comemorada em todo o país, homenageia Zumbi, um pernambucano que nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos de idade. Mais tarde ele voltaria para sua terra natal e seria líder do Quilombo dos Palmares, morrendo assassinado em 20 de novembro de 1695. Assim, Zumbi representa a luta dos negros e a consciência negra, que é o sentimento que os negros apresentam relativamente a sua história e a sua herança cultura, o que encoraja a luta negra contra a discriminação.
Citando o caso do George Floyd, que foi assassinado por um policial nos Estados Unidos, o radialista Angelo Farias questionou o motivo do racismo continuar a se perpetuar até mesmo em países de primeiro mundo. "O racismo continua vivo porque a gente vive em um sistema capitalista, que tem por natureza a competição entre as pessoas pela melhor posição na sociedade. Dentro deste sistema capitalista existem várias ideologias, práticas e mecanismos que visam colocar determinados segmentos em uma situação vulnerável para que outros se encontrem em uma situação privilegiada. O racismo é um desses mecanismos, que tem por objetivo excluir a população negra do processo produtivo da sociedade e do desfrute de melhores condições de vida", respondeu Jeferson Santos.
Apesar de ser conhecido por ser um país racista, o Barack Obama fez história quando conseguiu se tornar o primeiro, e único até o momento, presidente negro dos EUA.
O coordenador do INEG/AL pontua que o racismo vai além do reflexo da herança do passado colonial. "O racismo e a situação de vulnerabilidade da população negra vai ser criada no Brasil na época colonial, no século XVI, mas a condição do negro na base da pirâmide socioeconômica é reproduzida e criada na atualidade. O que a gente tem não é uma herança do nosso passado colonial, mas algo que está sendo construído e reproduzido na atualidade", destaca.
Para Santos, o racismo só irá acabar com políticas públicas, o que é o contrário da ideia que muitos acreditam sobre o racismo acabar com o passar do tempo.
"É preciso que os governos, principalmente o Poder Público, mas não só ele, como também a Iniciativa Privada, porque foi esse segmento [Iniciativa Privada] que, principalmente, escravizou pessoas negras nesse país. As famílias que hoje em nosso estado não são mais famílias senhoriais, mas migraram para outros comércios, outros negócios e outros ramos econômicos, tem uma responsabilidade enorme na reparação histórica por seus antepassados terem escravizado nossos irmãos", frisou.
O convidado também pontua que a maioria das políticas que foram desenvolvidas hoje se dão no âmbito da administração pública federal, se fazendo necessário a criação de medidas por parte dos governos estaduais e municipais: "é inadmissível que isso aconteça".
No momento, uma proposta de cotas raciais para concursos públicos está sendo discutida no âmbito estadual e privado. "O projeto de Lei já se encontra na Câmara de Vereadores de Maceió. Ele já foi aprovado em três comissões, onde recebeu parecer favorável. (...) Basta das nossas cidades não terem políticas públicas para o nosso povo, da mesma forma na esfera estadual", disse.
Ele finaliza dizendo esperar que o senador Renan Calheiros se sensibilize com essa questão partindo do ponto de vista da dívida que o estado e a burocracia estadual tem com a população negra: "a própria família do gestor também possui uma dívida com esse povo".
* Com informações do Calendarr
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