Polícia Federal intima Bolsonaro a depor em inquérito das joias
Ex-presidente deve ser ouvido na próxima quarta-feira (5), às 14h
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu antigo ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cesar Lourena Cid, foram intimados pela Polícia Federal no inquérito que apura possíveis crimes no caso que envolve o recebimento de presentes de nações árabes. A previsão é que os dois sejam ouvidos na quarta-feira (5).
Foram três estojos presenteados, sendo que dois deles teriam ficado com Bolsonaro.
Um outro militar foi intimado e será ouvido no mesmo dia. Trata-se do coronel Marcelo Costa Câmara. Segundo apurou a CNN com fontes a par da investigação, ele seria o operador de um gabinete paralelo de inteligência e segurança a serviço do ex-presidente.
Bolsonaro retorna ao Brasil nesta quinta-feira (30), depois de passar três meses no exterior. Além do inquérito na Polícia Federal, um outro processo está correndo no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o mesmo assunto. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República também apura o caso.
O voo de Bolsonaro está previsto para desembarcar às 7h10, em Brasília, e muitos apoiadores do ex-presidente indicaram que gostariam de recepcionar o político já no saguão. A concentração, no entanto, não deve ser autorizada pelas forças de segurança.
A CNN procurou os advogados do ex-presidente. Até o momento não houve manifestação sobre a intimação feita pela polícia.
Presentes “sem direcionamento”
Em depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 14 de março, o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque afirmou que as joias (do estojo feminino) foram enviadas “sem direcionamento”.
Ele também ressaltou que entendeu que recebeu os pacotes na qualidade de representante do governo brasileiro e que, assim, a destinação seria para a administração federal, mas que não houve direcionamento no país do Oriente Médio para quem as joias deveriam ir.
Conforme antecipado por Iuri Pitta, analista de Política da CNN, Albuquerque pretendia dizer que a resposta dele aos servidores da Receita Federal de que as joias seriam para a então primeira-dama Michelle Bolsonaro foi feita “no momento”, pois também teria sido pego de surpresa com o conteúdo dos pacotes.
A alegação é que nem ele, nem seu assessor teriam conhecimento de que os presentes se tratavam de joias. Disse ainda que assinou um termo em árabe relatando o recebimento de dois volumes lacrados; que perguntou ao mensageiro saudita do que se tratava e este respondeu que era apenas o entregador, não sabia.
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