Alok recebe prêmio em Cannes pela atuação junto à causa indígena
DJ teve a atuação reconhecida pelo seu comprometimento com os direitos e a cultura dos povos originários
O DJ e produtor musical brasileiro Alok recebeu um prêmio, no Festival de Cannes, na França, no último domingo (21), pela sua atuação junto à causa dos povos indígenas brasileiros.
Alok, que acumula hits de sucesso como “Hear Me Now” e “Alive (It Feels Like), foi homenageado durante um evento promovido pela Better World Fund e organizado pela Amazônia Fund Alliance/Unesco na Riviera francesa.
O DJ teve a atuação reconhecida pelo seu comprometimento com os direitos e a cultura dos povos originários no contexto da promoção de um mundo mais sustentável.

Célia Xakriabá e Cacique Mapu Huni Kuī recebem prêmio que foi entregue a Alok. Foto: Divulgação/AlokO troféu foi recebido pela deputada federal Célia Xakriabá e pelo Cacique Mapu Huni Kuī, que está atualmente na novela “Terra e Paixão”, da Rede Globo.
“Em nome do nosso querido amigo e DJ Alok, estamos aqui para agradecer este prêmio e para lembrar a todos sobre a importância de se preservar a floresta, as vozes indígenas. Não basta saber o canto, as rezas sagradas dos povos originários, é preciso também proteger as vozes e as vidas dessas pessoas que cantam, e o Alok entendeu isso. Este prêmio é para ele, porque aprendeu não só o canto, mas também a importância de dar proteção e de defender as vozes e os corpos dos indígenas”, afirmou a deputada.
Alok estava em turnê nos Estados Unidos, onde se apresentou em Las Vegas, e não pôde comparecer presencialmente ao evento. No entanto, ele discursou por meio de uma videochamada e reafirmou a importância dos povos originários ocuparem os mais diversos espaços sociais.
“Quero compartilhar este prêmio com a comunidade indígena brasileira que há séculos vem lutando pela valorização de sua identidade e pelo seu direito de viver. No Brasil, o que é ensinado nas escolas até hoje é uma visão colonizadora que omite a importância da cultura, do conhecimento e da sabedoria de um povo que há milhares de anos vive respeitando, celebrando e preservando a natureza”
O artista também relembrou quando, em 2015, teve seu primeiro contato com o povo Yawanawa, nas profundezas da Amazônia.
“Lá, com eles, percebi que enquanto eu fazia música buscando uma fórmula para chegar ao sucesso, a música para eles tinha uma função: curar as pessoas e trazer equilíbrio e consciência sobre como podemos viver em harmonia com a natureza. Hoje, quando procuramos soluções para o impacto causado pelas mudanças climáticas, a única certeza que eu tenho é que precisamos ouvir o que a floresta tem a dizer. E a melhor maneira para isso é através da música dos guardiões das florestas”, acrescentou.
Durante o evento, o DJ falou também sobre o fundo “Ancestrais do Futuro”, uma parceria entre o Instituto Alok, o Pacto Global da ONU e o Instituto Welight.
O projeto busca dar apoio técnico e financeiro a projetos que fortalecem os povos originários do Brasil nas áreas da cultura e entretenimento, conservação e regeneração ambiental e qualidade de vida nas aldeias. A ação inclui também o financiamento de produções indígenas de cinema.
No mês passado, Alok esteve na sessão solene de abertura da 19ª edição do Acampamento Terra Livre, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Na ocasião, ele defendeu uma “economia verde” e o incentivo a um maior protagonismo dos povos indígenas na indústria do entretenimento.

Alok durante sessão na Câmara dos Deputados / Lula Marques/Agência Brasil
Já em setembro do ano passado, ele e alguns artistas indígenas se apresentaram na “Climate Week” da ONU, em Nova York, para promover a pauta ambiental e a cultura ancestral de povos originários do Brasil durante a 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
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