Garis comunitários garantem coleta de lixo em becos e escadarias do Reginaldo
Moradores da região, eles dialogam com a comunidade e reforçam a educação ambiental
O dia começa por volta de 5h30 para José Jailson, um dos três garis comunitários do Vale do Reginaldo, no bairro do Poço, em Maceió. Ele toma um café reforçado, coloca o uniforme e sai a pé, em direção ao local onde ficam guardados os carrinhos de mão; pega o dele e inicia lá mesmo o dia de trabalho, seguindo por becos, escadarias, vielas e outros locais de difícil acesso na comunidade.
Jailson é um dos três moradores do Reginaldo que atuam como garis e viabilizam a coleta de lixo na região, onde poucas casas têm acesso direto às vias trafegáveis por automóveis. A maioria fica em áreas onde o caminhão de coleta não consegue chegar.
A pé, ele e os colegas vão de porta em porta pegando as sacolas e empilhando no carrinho, para em seguida jogar tudo em um dos nove contêineres distribuídos ao longo da via principal, onde o caminhão faz a coleta duas vezes por dia.
O trabalho é cansativo, mas tem recompensas. “Às vezes a gente passa e recolhe, quando volta já tem de novo. Mas aqui estamos trabalhando para nós, para nossa comunidade e para a população em geral. Eu mesmo tenho 30 anos aqui no Reginaldo, tenho amigo, parente, vizinho. Chega numa casa, a gente toma uma água, um cafezinho, um refrigerante. O pessoal chama pra sentar um pouquinho, mas a gente não pode parar”, relata Arnaldo da Silva, gari comunitário.
O direcionamento de profissionais que moram na comunidade para realizar o serviço foi uma medida implantada pela Prefeitura de Maceió para reduzir o descarte incorreto de lixo que afeta não só o local, mas todo o entorno, até chegar ao mar.
O Reginaldo é cortado de uma ponta a outra pelo Riacho Salgadinho, que por muitos anos foi o depósito do lixo doméstico dos moradores de lá. Como a água muitas vezes chega suja, vinda de outros bairros, é um convite para mais sujeira.
Mas a realidade está em processo de mudança e hoje já é bem melhor, como ressalta o gari comunitário Idelson Carlos. “Antes não tinha coleta, eram torres de lixo dentro do canal. Hoje não tem mais isso, as pessoas estão um pouco mais educadas. Tem gente que ainda joga, mas a gente vai lá e deixa limpo”, diz.
Além disso, a obra do Renasce Salgadinho, que está em andamento, prevê a implantação de oito redes de contenção para impedir que resíduos descartados ao longo dos riachos ligados ao Salgadinho cheguem até a foz e deságuem na Praia da Avenida. As redes de aço serão instaladas em pontos estratégicos, sendo quatro no riacho do Reginaldo, uma no riacho do Pau d’Arco, uma no Gulandi e outra no riacho do Sapo.
As medidas só confirmam a importância da limpeza do Reginaldo para bairros vizinhos e para Maceió como um todo, e o gari Arnaldo da Silva tem ciência disso. “O lixo só causa problemas pra gente e, no final, vai parar na praia, afeta outros lugares, e como afeta! E ele não vem só daqui, vem da Pitanguinha, do Feitosa, do Peixoto, prejudicando o meio ambiente e os moradores. A gente aqui só faz o bem, coleta com o maior prazer, o maior amor, é só colocar na porta”, enfatiza.
O gerente da Zeladoria Municipal do Vale do Reginaldo, Carlos Eduardo Flor, ressalta a importância da equipe de garis comunitários. Para ele, fazer parte da comunidade é um diferencial que ajuda na educação ambiental dos moradores. “Eles conversam com a comunidade, indicam onde as pessoas podem deixar o lixo, e fazem tudo com amor. Eu vejo que eles passam com o carro cheio, mas sempre com sorriso no rosto”, diz.
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