Defesa abandona julgamento e júri de PM acusado de estupro e homicídio é cancelado
A conduta do advogado será encaminhada ao Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
O júri popular de Josevildo Valentim dos Santos Júnior, ex-policial militar, foi cancelado após a defesa do réu abandonar o julgamento, que começou na manhã desta quinta-feira (13), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. O promotor do Ministério Público de Alagoas, Frederico Monteiro, pediu aplicação de multa.
A multa foi definida no valor de 20 salários mínimos pelo juiz Yulli Roter Maia, que acatou o pedido do MP. A conduta do advogado será encaminhada ao Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O júri será remarcado em uma data oportuna, a ser definida pelo magistrado responsável.
Começo do julgamento
A vítima sobrevivente, Agnísio dos Santos Souto, foi o primeiro a depor. Foram ouvidos também o pai de Agnísio e o irmão da vítima fatal, Aparecida Rodrigues Pereira. No final da manhã, o réu foi interrogado. Durante a tarde, devem ocorrer os debates entre acusação e defesa. O caso tramita na 7ª Vara Criminal de Maceió.
O promotor Frederico Monteiro espera que Josevildo seja condenado por homicídio qualificado por cinco questões, quanto à vítima Aparecida: motivo torpe, meio que dificultou a defesa, intenção de ocultar outro crime (o estupro), e contexto de feminicídio.
"Existem provas robustas, significativas, todas bem correlacionadas, muito bem casadas", afirmou Frederico.
O réu confessou o crime, e o advogado Luiz Estevão Perez explicou que a defesa sustenta que Josevildo não deve ser condenado, pois sofre de esquizofrenia e psicose, e seria, portanto, inimputável, além de ser usuário de drogas.
O caso
Na época do fato, em 15 de outubro de 2019, Josevildo era policial militar. Ele é acusado de estuprar e matar Aparecida, e de tentar assassinar Agnísio, que estava em um início de relacionamento com Aparecida.
Segundo os autos, Aparecida e Agnísio estavam na porta de casa, na Ponta Grossa, quando Josevildo, que trafegava pela região com seu veículo, se aproximou do casal e os rendeu utilizando uma arma de fogo.
Agnísio relata que o Josevildo ordenou que as vítimas entrassem no carro, e foi colocado na mala do veículo, enquanto Aparecida ficou no banco do passageiro. Josevildo dirigiu até o Pontal da Barra. Ao chegar no local, o acusado iniciou o estupro.
Em seguida, o réu abriu a mala do veículo e ordenou que Agnísio saísse. Josevildo disparou quatro vezes contra ele, tendo um dos tiros acertado a vítima na nuca. Em seguida, o réu disparou duas vezes contra Aparecida, que morreu no local.
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