Branqueamento de corais chega a Fernando de Noronha e preocupa pesquisadores
Aquecimento do oceano é apontado como principal motivo. Monitoramento conta com boia, instalada na Baía dos Golfinhos, que registra a temperatura da água
Pesquisadores realizaram uma série de mergulhos em Fernando de Noronha e comprovaram o branqueamento dos corais na ilha. Segundo os estudiosos, o fenômeno ocorreu em função do aquecimento do oceano.
A coleta de dados foi feita por estudiosos do Programa Observadores da Natureza para o Desenvolvimento Ambiental nas Ilhas Oceânicas (Onda-Iloc), em parceria com o Projeto Coral Vivo e Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).
Os corais de Noronha são monitorados com apoio de uma boia instalada na Baía dos Golfinhos que registra a temperatura da água.
“Nós monitoramos, por meses, a temperatura da água em Fernando de Noronha através da boia oceanográfica instalada na Baía dos Golfinhos. Nós registramos a temperatura do mar em torno de 30 graus por algumas semanas, por isso já sabíamos da possibilidade de branqueamento dos corais”, disse a pesquisadora Marina Sissini, que é professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e faz parte do Onda-Iloc.
Ela também afirmou que esse é o quatro branqueamento global de corais. “Foram dez semanas de estresse térmico acumulado, índice que prevê o branqueamento. Mesmo assim, nós imaginávamos que o branqueamento poderia não ocorrer em Noronha porque a ilha é preservada e protegida de impactos humanos, como poluição”, contou Marina Sissini.
A pesquisadora revelou, ainda, que, logo no primeiro mergulho, foi constatado o fenômeno. “Nós fomos na região da Sapata, onde fazemos monitoramento há dez anos, e encontramos, na profundidade de 22 metros, corais doentes e pálidos”, afirmou Marina Sissini.
Foram vistos corais branqueados também em regiões rasas. “No raso, vimos até 100% dos corais da espécie Siderastrea sp branqueados. Sabemos que, no raso, o coral sofre branqueamento, mas se recupera. Nós também identificamos colônias de Montastraea cavernosa, de profundidade em torno de 20 metros, em situação ruim”, declarou a pesquisadora.
O professor Paulo Hora, que também é pesquisador da UFSC, está preocupado. “Eu nunca tinha visto uma situação como essa. Mergulho na ilha há décadas. Isso deixou uma cicatriz na minha alma. Se, em Fernando de Noronha, nós observamos branqueamento é porque o cenário é gravíssimo e precisa de atenção urgente”, disse.
O aumento da temperatura dos oceanos é decorrente das emissões de gases do efeito estufa.
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