Lula chora ao lembrar pane em avião: ‘Pedi a Deus que nos trouxesse com vida’
Presidente afirmou que vai comprar novas aeronaves; avião teve de gastar combustível por mais de 4h no México, na semana passada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chorou nesta sexta-feira (11) ao relembrar a pane no avião presidencial que levou a aeronave a voar em círculos por quatro horas e meia logo após a decolagem, na Cidade do México, na semana passada. Foram identificados problemas técnicos e foi preciso gastar combustível antes de retornar ao solo do país, onde o petista participou da posse da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum. A queima de energia foi necessária porque o peso máximo de decolagem é diferente do peso máximo de pouso.
“Semana passada, fiquei quatro horas e meia dentro de um avião, que a gente não sabia se o avião ia cair ou não. O motor tava estragado e ficamos quatro horas e meia dentro do avião, rezando e pedindo a Deus que nos trouxesse com vida”, desabafou o presidente, emocionado, durante agenda em Fortaleza. É a terceira vez de Lula na capital cearense em 2024, e a quinta neste mandato.
O Airbus A319, chamado de VC-1 pela FAB, é o avião presidencial brasileiro desde 2005. À época, ele custou US$ 56,7 milhões. Atualmente, uma aeronave semelhante, mas atualizada, chega a custar US$ 87,7 milhões — cerca de R$ 500 milhões.
“Estou aqui para dizer a vocês, ninguém, simplesmente ninguém, a não ser Deus, vai impedir que a gente faça deste país uma grande nação, o país da educação, que a gente garanta a todos vocês o direito de ser cidadãos e cidadãs de primeira categoria, e não de terceira, como querem que a gente seja”, completou.
Mais cedo nesta sexta (11), em entrevista a uma rádio cearense, Lula afirmou que vai comprar novos aviões para o transporte presidencial e de integrantes do primeiro escalão do governo. “Desse problema tiramos uma lição: vamos comprar não apenas um avião, mas alguns aviões [...]. Precisamos nos preparar. Pedi para que o ministro da Defesa [José Múcio] nos faça uma proposta. Vamos comprar um avião para o presidente da República”, declarou.
O petista completou que a aquisição não é direcionada para ele, mas para a “instituição, quem quer que seja eleito presidente”. O presidente ressaltou, ainda, a intenção de adquirir outras aeronaves, “porque é preciso os ministros viajarem”.
Também na entrevista, Lula deu mais detalhes da experiência. “Quando a gente estava andando na pista, o barulho já estava diferente. Quando levantou voo, aconteceu alguma coisa, porque o avião estava com um ronco diferente, trepidava muito”. O presidente contou ter ido à cabine falar com o piloto e que a tripulação estava nervosa, “vendo como é que iriam sair daquela situação”.
Com a necessidade de esvaziar o tanque, Lula pediu para que o almoço fosse servido. “Fiz até uma brincadeira estúpida, dizendo que era preciso comer, porque não sabíamos se ia ter comida no céu”, brincou.
Causa do episódio é investigada
Dois dias depois do incidente, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Damasceno, declarou não haver indicação de que a falha tenha sido causada por animais. Segundo o comandante, não houve desligamento de motor nem de turbinas da aeronave. “Não descartamos a hipótese de ter tido ingestão de pássaro. A aeronave tinha acabado de recolher o trem de pouso. É uma altitude que, normalmente, pode ter ingestão de pássaro, mas não temos nenhuma indicação. Não há sangue, pena, nada que ainda tenhamos identificado. Ao abrir o motor, pode surgir. Então, estamos verificando para o relatório preliminar, que é a sequência normal de uma investigação”, afirmou Damasceno a jornalistas.
O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à FAB (Força Aérea Brasileira), investiga o episódio. “O Cenipa é o órgão responsável por verificar qualquer ocorrência fora da normalidade de um voo. Já estamos com dois técnicos lá [no México]. Não há prazo para o relatório preliminar, [mas] tão logo tenha posição, informaremos, porque não há o que esconder”, completou.
O comandante aproveitou para defender a compra de uma nova aeronave presidencial. “Pessoalmente defendo [a compra]. Esse avião completa, em 5 de janeiro [de 2025], 20 anos. O avião é muito seguro, mas tem uma autonomia que nos atende em parte. Um país como o nosso, uma potência mundial, deve ter um avião maior, que tenha mais autonomia e espaço para levar o mandatário do país”, destacou Damasceno.
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