Se expôs a água de inundações? Confira os sinais e sintomas da Leptospirose
Diante de chuvas fortes que causam alagamentos, é preciso reforçar cuidados para evitar a doença
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) faz um alerta para a população sobre os riscos da leptospirose, após os episódios de alagamentos ocorridos nesta quarta-feira (5), em Maceió. Isso porque, pessoas expostas a água suja e contaminada, especialmente em áreas atingidas por inundações, podem ser infectadas pela bactéria Leptospira.
Como os sintomas da doença podem demorar dias para aparecer, a recomendação é que, ao ter contato com as águas de locais alagados, é necessário ficar vigilante e procurar atendimento médico ao menor sinal da doença. O período de incubação da leptospirose varia de 1 a 30 dias, sendo mais comum entre o 7º e o 14º dia após a exposição à água contaminada pela Leptospira.
Os sintomas incluem febre alta, dor muscular intensa, principalmente na panturrilha, dor de cabeça, calafrios, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, pode haver complicações como insuficiência renal e hemorragia pulmonar, aumentando o risco de óbito. De acordo com o Ministério da Saúde, a letalidade nos casos mais severos pode chegar a 40%.
A doença é transmitida pelo contato direto ou indireto com a urina de animais contaminados, principalmente ratos, que geralmente ficam em bueiros e locais com entulhos e deficiência de saneamento básico. Com isso, quando chove, a água entra em contato com a bactéria Leptospira, que pode penetrar no organismo de uma pessoa que se expôs a água infectada, seja por meio de ferimentos na pele e mucosas ou mesmo pela imersão prolongada em água contaminada.
Prevenção
Por isso, a Sesau reforça que a prevenção é fundamental. A recomendação é evitar o contato com água de enchentes sempre que possível e, caso a exposição seja necessária, se recomenda utilizar botas e luvas de borracha. Outra medida importante é manter os ambientes limpos, armazenar lixo corretamente e impedir o acesso de roedores às residências, segundo a superintendente de Vigilância e Controle de Doenças Transmissíveis da Sesau, Waldinéa Silva.
“Orientamos a população que evite contato direto com água de alagamentos, lama e esgoto. Como também, que os responsáveis por crianças não permitam que elas nadem ou brinquem em córregos. A população deve realizar medidas que sirvam para o controle dos roedores, tais como, acondicionar corretamente o lixo e evitar acúmulo de entulhos”, ressalta a superintendente..
Ela salienta, ainda, que as pessoas que trabalham com limpeza urbana devem utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas e botas impermeáveis, visando evitar o contágio da leptospirose. “A Sesau está vigilante para o surgimento de casos da doença e reforça a orientação junto às unidades de saúde para o diagnóstico rápido e tratamento adequado. A população deve procurar um posto de saúde imediatamente ao apresentar sintomas, especialmente se teve contato recente com água de enchente”, recomenda Waldinéa Silva.
O secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, reforça a importância do alerta à população. “Sabemos que, após enchentes, alagamentos e inundações, as pessoas muitas vezes precisam retornar às suas casas e ter contato com a água contaminada. Por isso, é essencial que todos fiquem atentos aos sintomas da leptospirose e busquem atendimento médico ao primeiro sinal. O diagnóstico precoce salva vidas”, frisa o gestor da saúde estadual.
Números
De acordo com a Sesau, em 2023, foram registrados 56 casos confirmados da doença em Alagoas, e no ano passado, 40 casos. No mês de janeiro deste ano não foram contabilizados casos de leptospirose no Estado. Ainda de acordo com a Sesau, no Brasil, a leptospirose é uma doença endêmica e torna-se epidêmica em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e nas regiões metropolitanas. Isso ocorre devido às enchentes associadas à aglomeração populacional de baixa renda, condições inadequadas de saneamento e alta infestação de roedores infectados.
Recomendações aos Municípios
A Sesau recomenda que todos os municípios atingidos por inundações devem ficar em alerta, devendo disseminar informações sobre vigilância, prevenção e controle da leptospirose para serviços e profissionais de saúde. É necessário também buscar orientar a população sobre os sintomas, mecanismos de transmissão e medidas para evitar a doença, além de notificar todo caso suspeito da doença, para o desencadeamento de ações de prevenção e controle.
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