Quero que Lula morra, diz relator de PL que desarma segurança presidencial
Declaração ocorreu durante sessão que discutia o projeto de lei
O deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) afirmou nessa terça-feira (08) durante sessão na Comissão de Segurança Pública da Câmara, que quer que o presidente Lula (PT) morra.
O que aconteceu
Gilvan da Federal repetiu a frase três vezes. "Eu vou te falar: Por mim, eu quero mais é que o Lula morra, eu quero que ele vá para o quinto dos infernos. É um direito meu. Não vou dizer que eu vou matar o cara, mas eu quero que ele morra, que vá para o quinto dos infernos", disse.
AGU pediu que a Polícia Federal e o Ministério Público abram investigação criminal. A Advocacia-Geral da União informou que as declarações podem configurar, em tese, os crimes de incitação ao crime e ameaça. Também afirma que as manifestações do deputado podem ter excedido os limites da imunidade parlamentar. A reportagem procurou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o Palácio do Planalto, mas não teve resposta.
O deputado ainda mencionou o diagnóstico de câncer do presidente. Lula teve um tumor na garganta em 2011 e se curou após passar por tratamento. "Nem o diabo quer o Lula, é por isso que ele está vivendo aí, superou o câncer. Tomara que tenha uma taquicardia porque nem o diabo quer essa desgraça desse presidente que está afundando o Brasil. E eu quero mais é que ele morra mesmo", concluiu.
Declaração ocorreu durante sessão que discutia um projeto de lei que propõe desarmar a segurança pessoal do presidente. Gilvan da Federal é relator do texto na Comissão de Segurança. A proposta, apresentada pelo deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), foi aprovada hoje, mas ainda precisa passar por outras duas comissões na Câmara antes de ir para análise do Senado.
Gilvan é policial federal licenciado. Ele foi eleito deputado federal em 2022. Antes, foi vereador de Vitória, no Espírito Santo. O próprio deputado compartilhou o discurso nas redes sociais. Em um post no X, ele Gilvan da Federal: "Quem é parceiro do crime não merece respeito. Fora Lula. Anistia já!". Ele é defensor da anistia aos presos do 8 de Janeiro.
Reações do governo
A AGU também determinou instauração de procedimento administrativo interno para apurar o caso. O órgão ressaltou que as providências adotadas "visam à salvaguarda da integridade das instituições republicanas e do Estado Democrático de Direito".
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), classificou a fala como "grave, criminoso e inaceitável". Segundo ela, a declaração mostra a "face mais cruel da política do ódio".
Muito grave, criminoso e inaceitável. É a face mais cruel da política do ódio. Faz parte da mesma turma bolsonarista que armou a tentativa de golpe e que queria matar Lula na Operação 'Punhal Verde e Amarelo'. Essa turma que fala em anistia, mas que segue ameaçando e instigando a violência. O país inteiro sabe: o bolsonarismo não tem nenhum respeito pela democracia. Não tem nenhum compromisso com o Brasil. A morte é o caminho da disputa política que fazem. Nosso caminho é outro, da disputa de ideias, mas também do diálogo e da paz, para o nosso país superar seus desafios.
Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais
É inaceitável no Estado Democrático de Direito que um parlamentar use o espaço nobre da Comissão de Segurança Pública da Câmara para defender a morte do presidente da República Federativa do Brasil.
Jorge Messias, ministro-chefe da AGU
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