Renan Filho defende corte de R$ 800 bilhões em gastos tributários
Renan Filho propõe revisão de benefícios que comprometem investimentos em saúde e educação.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, usou suas redes sociais neste sábado (7) para defender com veemência a necessidade de cortar os chamados “gastos tributários” do governo federal, que somam aproximadamente R$ 800 bilhões por ano. Segundo o ministro, essa renúncia fiscal beneficia grupos empresariais específicos e compromete a capacidade do Estado de investir em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
Durante a fala, Renan ressaltou que o equilíbrio fiscal é condição indispensável para reduzir juros, controlar a inflação e atrair investimentos — criando, assim, um ciclo virtuoso de crescimento econômico, geração de empregos e aumento de renda para a população.
“Com mais equilíbrio fiscal, o país tem mais condição de colocar juros para baixo com inflação controlada. Quando isso ocorre, a gente consegue atrair mais investimentos, abrir novas fábricas, gerar mais empregos”, afirmou.
800 bilhões x serviços públicos
O ministro apresentou comparações diretas para ilustrar o impacto dos R$ 800 bilhões em renúncias fiscais. Enquanto isso, áreas fundamentais do orçamento federal contam com recursos significativamente menores:
• Saúde pública: R$ 233 bilhões
• Educação: R$ 167 bilhões
• Bolsa Família: R$ 160 bilhões
• Farmácia Popular: R$ 4,2 bilhões
• Bolsas da Capes: R$ 4,2 bilhões
• Vale Gás: R$ 3,6 bilhões
• Investimentos do PAC: R$ 60 bilhões
“Saúde e educação, juntas, somam R$ 400 bilhões — apenas a metade do que se gasta com incentivos fiscais que muitas vezes não têm transparência nem avaliação sobre sua efetividade”, alertou.
Apoio político à pauta
Renan Filho destacou que o tema deve ser debatido neste fim de semana em uma reunião importante entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e líderes partidários. Ele elogiou a atuação de Haddad, que teria dado mais transparência ao tema, permitindo o acesso público às empresas que se beneficiam dessas isenções.
“Parabenizo o presidente Hugo Motta por defender esse debate. O Brasil precisa corrigir essa distorção. É hora de enfrentar interesses organizados que pressionam o Congresso para manter seus privilégios fiscais”, disse o ministro.
Exemplo nos estados
Renan lembrou ainda que a medida já foi adotada com sucesso em estados como Alagoas, quando ele próprio era governador. Em 2017, em meio à crise econômica nacional, implementou o corte de benefícios fiscais no estado para garantir o equilíbrio fiscal.
“Eu fiz isso em Alagoas em 2017, e deu resultado. Cortar esses benefícios injustos é um passo importante para termos um Brasil mais justo, eficiente e com capacidade real de investimento público”, finalizou.
Próximos passos
O tema da reforma fiscal e da revisão dos gastos tributários deve avançar nas próximas semanas, com propostas que serão apresentadas por Haddad ao Congresso. A expectativa é que haja resistência de setores empresariais, mas o governo aposta no apoio popular e na mobilização de parlamentares conscientes da necessidade de justiça tributária.
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