Criança morre após atendimentos em hospital de Cajueiro; família acusa negligência
Prefeitura afastou médica e Polícia Civil abriu investigação
A morte de Everton da Silva Santos, de apenas 5 anos, causou forte comoção e revolta em Cajueiro, município da Zona da Mata de Alagoas. O menino faleceu no último dia 16 de setembro, no Hospital Municipal Dr. Augusto Dias Cardoso, após ser levado três vezes à unidade em um período de três dias. A família acusa a equipe médica de negligência.
Segundo relato dos pais, os sintomas começaram no domingo (14), quando Everton apresentou febre alta, dores de cabeça, dores abdominais e vômitos. No primeiro atendimento, ele recebeu duas injeções e um medicamento oral, mas foi liberado para casa. No retorno seguinte, o menino foi medicado novamente, mas sem realização de exames complementares.
Na madrugada de terça-feira (16), a criança voltou a ser levada ao hospital. Recebeu mais soro e uma injeção, mas seu quadro se agravou horas depois. De acordo com o pai, quando a mãe tentava providenciar a transferência para uma unidade de referência, Everton não resistiu e morreu.
Um laudo emitido pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) apontou como causas da morte pneumonia, broncopneumonia, edema pulmonar, derrame pleural e insuficiência respiratória, sem indícios de meningite.
A mãe relatou ainda que, em um dos atendimentos, a médica plantonista teria atribuído a fraqueza do filho à “falta de alimentação”, apesar de ele estar devidamente vacinado e alimentado.

Protestos e investigação
Durante o velório e o enterro, moradores realizaram protestos com cartazes e pedidos de justiça, cobrando esclarecimentos sobre a conduta médica no hospital.
O Conselho Tutelar acompanha o caso e já colheu informações sobre os atendimentos prestados à criança. A Polícia Civil, por meio do 102º Distrito Policial de Cajueiro, instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte, ouvir testemunhas e coletar provas.
Após a repercussão, a Prefeitura de Cajueiro confirmou, em nota oficial, o afastamento da médica que realizou os primeiros atendimentos e informou que instaurou processo administrativo interno para apurar responsabilidades.
"Reafirmamos nossa solidariedade à família neste momento de dor e reiteramos que a Prefeitura não compactua com nenhum ato de mau atendimento. Nosso compromisso é com um cuidado cada vez mais humano, digno e respeitoso", trouxe a nota.
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