Carolina Dieckmann testa máscara de lesma e dermatologista avalia
Atriz viraliza ao mostrar produto de lesma, e especialista esclarece o que é seguro, o que funciona e o que não passa de moda na internet
Um vídeo inusitado tomou conta das redes no fim de semana: Carolina Dieckmann, 47, experimentando uma máscara facial feita com “essência de lesma”. Antes mesmo de aplicar o produto, a atriz brincou com a situação — e com o próprio nojo — ao ler os componentes. “É enriquecida com lesma filtrada…se tiver cheiro ruim, não vou fazer”, disse entre risadas.
A marca responsável pelo produto comento a publicação afirmando que se trata de uma secreção purificada e não do “muco cru” imaginado por muitos. Mas, afinal, esse tipo de cosmético funciona? E até onde a tendência é segura? Para responder, o Metrópoles ouviu a dermatologista Natasha Crepaldi, que esclareceu os limites entre ciência e modismo.
Caracol não é lesma: o que realmente tem comprovação
Natasha explica que os estudos existentes não envolvem lesmas, mas espécies específicas de carocol, como Cryptomphalus e Helix. A secreção filtrada desses animais é usada na indústria cosmética há anos e pode ser hidratante, reparadora, antioxidante e antienvelhecimento.
“Os benefícios aparecem em produtos formulados em laboratório, com pureza, concentração e estabilidade controladas. É completamente diferente do que vemos em vídeos virais”, afirma. A dermatologista lembra ainda que trabalhos laboratoriais mostram que o muco de algumas lesmas por até ter efeito citoróxico em queratinócitos dependendo da concentração.
Aplicar lesma no rosto? Dermatologista alerta para riscos
O uso improvisado, como colocar uma lesma viva diretamente na pele, não tem respaldo científico e pode ser perigoso. “Esses animais podem carregar bactérias, fungos e parasitas. Além disso, podem causar irritações e reações alérgicas, principalmente porque quase ninguém sabe identificar a espécie correta”, explica Natasha.
Sem controle sanitário ou garantia de composição, o resultado é imprevisível: “É um experimento desnecessário e potencialmente arriscado.”
Cosmético purificado x modismo da internet
A dermatologista reforça que a secreção usada em produtos regulamentados passa por filtragem, esterilização e padronização, o que garante segurança e estabilidade química.
“O que viraliza nas redes é o oposto disso: sem purificação, sem controle microbiológico e sem comprovação de eficácia. Um cosmético é testado; a prática caseira, não”, resume.
Quem busca hidratação e firmeza tem alternativas reais
Para quem se interessa pelos efeitos atribuídos às máscaras de lesma — como hidratação, regeneração e firmeza — Natasha destaca que há opções muito mais seguras e estudadas.
Em consultório, os recursos incluem bioestimuladores de colágeno, lasers, ultrassom e radiofrequência, que apresentam resultados previsíveis. Já no uso diário, ingredientes como ácido hialurônico, peptídeos, ceramidas e retinoides têm eficácia comprovada.
“Não precisamos recorrer a soluções improvisadas para ter uma pele saudável e bonita”, conclui.
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