Ex-vereador alagoano perde cargo de policial civil após ser condenado por abuso sexual e ligação com facção criminosa
Réu teria utilizado função pública para favorecer o Comando Vermelho
A Justiça do Acre decretou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Jaelson dos Santos Silva, conhecido como Mima, após condenação por abuso sexual contra uma adolescente e pelo uso da função pública para beneficiar uma facção criminosa, o Comando Vermelho.
A sentença foi assinada pelo juiz Guilherme Muniz de Freitas Miotto, na última terça-feira (16), e fixou pena de cinco anos, sete meses e 22 dias de prisão, além de multa. Apesar da condenação, o réu poderá recorrer em liberdade.
Segundo a decisão, Jaelson utilizou o cargo de policial para favorecer integrantes da facção criminosa e cometeu crimes sexuais contra uma adolescente no município de Assis Brasil, no interior do Acre. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou sua exclusão dos quadros da Polícia Civil do Estado.
Mesmo com a condenação, Jaelson ainda aparece como servidor ativo, com remuneração bruta aproximada de R$ 10,8 mil, já que a decisão ainda cabe recurso. A Polícia Civil do Acre informou que não irá se manifestar. A defesa também foi procurada, mas não respondeu até a publicação.
Passagem pela política em Alagoas
Antes da condenação no Acre, Jaelson dos Santos Silva também teve atuação política em Alagoas, onde exerceu mandato como vereador no município de São Brás, no Baixo São Francisco.
No estado, o ex-parlamentar se envolveu em episódios de violência e ameaças armadas, conforme boletins de ocorrência registrados à época. Em uma das ocorrências, ele teria agredido duas pessoas após uma reunião política, além de apontar uma arma de fogo para a cabeça das vítimas.
Segundo os relatos, Jaelson teria descido do veículo armado, ameaçado uma das vítimas, desferido um tapa que a derrubou e, em seguida, apontado a arma para sua cabeça e chutado suas nádegas. A confusão só terminou após a intervenção de populares.
Em outro episódio, o ex-vereador também gerou repercussão negativa ao chamar a população ribeirinha de “preguiçosa”, declaração que causou revolta na região.
Versão do ex-vereador
Procurado anteriormente pelo 7Segundos, Jaelson negou irregularidades e afirmou:
“Nunca bebi, nunca fumei, não ando em festa, não ando com deboche com ninguém. Também não aceito que nenhum desocupado encha a cara de cachaça e venha tirar meu sossego.”
Situação processual
Embora a decisão ainda seja passível de recurso, a Justiça entendeu que houve quebra de confiança no exercício da função pública, determinando a perda do cargo de policial civil. O caso segue sob análise nas instâncias superiores.
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