Justiça dá razão à Braskem e impõe freio judicial a protestos em frente à fábrica no Pontal da Barra
Sentença estabelece uma blindagem judicial da área industrial da empresa
A Justiça de Alagoas decidiu a favor da Braskem e impôs um freio judicial às manifestações realizadas em frente à planta da empresa no Pontal da Barra, em Maceió. A decisão tornou definitiva a liminar que proíbe atos que dificultem ou impeçam o acesso às operações da mineradora, sob pena de multa diária.
Na prática, a sentença estabelece uma blindagem judicial da área industrial da empresa, proibindo líderes comunitários, representantes de movimentos e a Associação dos Empreendedores do Bairro do Pinheiro de promoverem bloqueios, obstruções ou qualquer ação que represente ameaça à posse e ao funcionamento da unidade.
Contexto da ação
A Braskem ingressou na Justiça alegando que manifestações organizadas em frente ao portão principal da planta industrial vinham dificultando a entrada e saída de funcionários e veículos. Segundo a empresa, houve montagem de tendas, uso de trio elétrico e concentração de pessoas em local sensível da operação.
A empresa sustentou que os atos poderiam gerar prejuízos operacionais graves e riscos à segurança, com impactos não apenas para a indústria, mas também para a economia local e regional.
Fundamentos da decisão
Na sentença, o juiz José Afrânio dos Santos Oliveira, da 29ª Vara Cível da Capital, afirmou que ficou comprovado que a manifestação buscou obstruir o acesso à unidade e citou a ocorrência de incêndio em área próxima à fábrica, onde há produção de cloro, soda, tubulações e terminal de gás.
O magistrado entendeu que os atos ultrapassaram o campo do protesto simbólico e passaram a representar ameaça concreta às atividades da empresa.
Limites ao direito de manifestação
Embora tenha destacado que o direito de reunião e de protesto é garantido constitucionalmente, o juiz ressaltou que ele não é absoluto. Segundo a sentença, quando manifestações colocam em risco a segurança, a posse e o funcionamento de uma planta industrial, cabe intervenção do Judiciário.
Na prática, a decisão cria um limite objetivo para atos realizados nas proximidades da unidade da Braskem.
Multa e condenações
Com a decisão, os réus ficam proibidos de praticar qualquer ato que represente turbação da posse da empresa. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de mil reais, limitada a trinta mil reais.
Todos os réus também foram condenados ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios. A Associação dos Empreendedores do Bairro do Pinheiro foi declarada revel por não apresentar contestação.
Leitura dos bastidores
Nos bastidores, a sentença é vista como um divisor de águas no embate entre a Braskem e movimentos ligados aos bairros afetados pelo desastre ambiental. A Justiça deixa claro que protestos que avancem sobre a área operacional da empresa podem sair do campo político e passar a gerar consequências financeiras diretas e novas sanções judiciais.
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