Da aventura ao desespero: relembre casos de brasileiros em trilhas de alto risco
Casos recentes mostram como trilhas e montanhas podem se transformar em cenários de risco e tragédia
Na última semana, o nome de Roberto Farias Tomaz, jovem de 19 anos que se perdeu em uma trilha no Pico Paraná, esteve nas manchetes de todo o país. Após cinco dias desaparecido, ele conseguiu sair da mata e pedir ajuda em uma fazenda no município de Antonina, sendo finalmente resgatado. Apesar do desfecho positivo, casos semelhantes nem sempre terminam da mesma forma.
O exemplo mais recente ocorreu em junho de 2025, quando o Brasil acompanhou com apreensão o resgate da publicitária Juliana Marins. Ela morreu aos 26 anos após cair de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia.
A morte da jovem gerou forte comoção nacional e motivou debates na Câmara dos Deputados, especialmente sobre a gratuidade do traslado de corpos de brasileiros que morrem no exterior.
Queda de penhasco
Natural de Niterói (RJ), Juliana Marins caiu em uma área de difícil acesso do Monte Rinjani, segundo maior vulcão da Indonésia, localizado na ilha de Lombok. A queda não foi imediatamente fatal.
De acordo com as autoridades locais, ela morreu entre dois e três dias depois, em decorrência de múltiplos traumas causados pelo impacto.
Desaparecido na neve
Pouco antes da morte de Juliana, ainda em junho, outro brasileiro perdeu a vida durante uma expedição no exterior. O fotógrafo e montanhista Edson Vandeira, de 36 anos, desapareceu no dia 1º após seguir com os peruanos Efraín Pretel Álonzo e Jesús Huerta Picón para uma tentativa de escalada no Nevado Artesonraju, no Peru.
Com 6.025 metros de altitude, o pico fica dentro do Parque Nacional Huascarán e é conhecido pelas condições meteorológicas severas e instáveis. O trio pretendia completar uma rota técnica até o cume, considerada uma das mais desafiadoras dos Andes.
Os corpos de Vandeira e dos dois montanhistas peruanos foram localizados no dia 22 de junho. À época, colegas relataram que luzes foram vistas se movimentando no topo da montanha na noite do desaparecimento, o que indica que eles podem ter alcançado o cume, mas enfrentaram dificuldades durante a descida.
Salto mortal
Pouco menos de um ano antes, em julho de 2024, o parapentista e alpinista Rodrigo Raineri, de 55 anos, morreu em um acidente durante uma expedição na região do K2, a segunda montanha mais alta do mundo, com 8.600 metros de altitude, atrás apenas do Everest.
Rodrigo integrava um grupo de sete atletas e foi o único a tentar a descida de parapente — modalidade de voo livre que utiliza apenas a força do vento. O salto foi frustrado quando o equipamento teria fechado de um dos lados, fazendo com que o atleta entrasse em espiral e colidisse com a montanha.
Ele era experiente. Rodrigo foi o primeiro brasileiro a escalar três vezes, com sucesso, o Monte Everest.
Morte em caverna de gelo
Em 2022, outro brasileiro morreu em circunstâncias trágicas na Argentina. O publicitário Dennis Cosmo Marin, de 37 anos, foi atingido por um bloco de gelo que se desprendeu do teto da Caverna de Jimbo, também conhecida como Caverna de Gelo, localizada no Parque Nacional da Terra do Fogo.
Marin viajava havia cerca de quatro anos em uma kombi, acompanhado apenas de sua gata de estimação. Ele sofreu traumatismo craniano e morreu no local. Desde 2021, a prefeitura da região alertava para o risco de colapso da caverna, cuja entrada era proibida. Um vídeo que registra o momento do acidente foi amplamente compartilhado nas redes sociais.
O início e o fim de um sonho
Em março de 2012, o engenheiro Felipe Santos decidiu realizar o sonho de escalar o vulcão Villarrica, próximo à cidade de Pucón, na região de Araucanía, no Chile. A tentativa terminou de forma trágica no dia 1º daquele mês, quando ele escorregou durante a subida.
Felipe deslizou cerca de 600 metros e caiu em uma fenda com aproximadamente seis metros de profundidade, a cerca de 2,7 mil metros de altitude. O corpo foi localizado três dias depois, já sem vida.
À época, autoridades apontaram que a causa da morte teria sido hipotermia. O corpo do engenheiro foi trasladado para Brasília, onde a família realizou uma cerimônia fúnebre antes da cremação.
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