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Após polêmica, ex-juiz diz que Wagner Moura usa “técnica da esquerda”

Ex-juiz do TJDFT Samer Agi viralizou nessa quinta-feira (15/1) após analisar o discurso do artista no Globo de Ouro

Por Metrópoles 16/01/2026 12h12
Após polêmica, ex-juiz diz que Wagner Moura usa “técnica da esquerda”
Samer Agi e Wagner Moura - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Após ter seu nome envolvido no centro de uma polêmica por criticar a postura do ator Wagner Moura durante o discurso de agradecimento no Globo de Ouro, o ex-juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Samer Agi se manifestou sobre o rebuliço causado na internet.

Atualmente influenciador digital e palestrante, Agi afirmou que essa é a sua visão de mundo. Publicado em seu perfil nas redes sociais, o posicionamento, segundo o ex-magistrado, trata-se apenas de “liberdade de expressão e de pensamento”.

“Ninguém é obrigado a concordar comigo. As pessoas podem discordar. Só peço que você mantenha o nível do debate que nós praticamos aqui”, disse o ex-juiz.

Dando continuidade à sua análise, Agi afirmou que, durante o discurso, Wagner Moura recorreu a uma técnica exposta em um livro de autoria de um filósofo.

“Se você analisar a fala do Moura, o que você percebe é que ele usa uma técnica, talvez inconscientemente, explicitada por Schopenhauer em ‘A arte de ter razão’: é a técnica da estigmatização”, observou.

“Ele vai dizer que o ex-presidente é um fascista, então o que ele faz? Ele rotula alguém. Essa é uma técnica que você utiliza para vencer um discurso, um debate, para que você vença o seu oponente. Você começa a estigmatizar.”

Agi afirmou que, atualmente, a oposição faz isso muito bem. “Quando digo para citar um político negacionista, genocida e fascista qual é o primeiro nome que vem à sua mente? Pois é, o trabalho foi muito bem feito; porque quando eu estigmatizo, as outras pessoas deixam de apoiar. Eu não vou apoiar alguém se eu vou, imediatamente, ser tachado como negacionista, genocida, fascista, porque é isso que é feito”, criticou.

Ele ainda afirmou que quando se apoia determinada pessoa, a rotulação se estende ao apoiador, o que, para ele, é absolutamente injusto.

“Chegamos ao ponto agora que não é possível criticar o atual governo sem que você seja taxado de bolsonarista. Ou seja, você não pode criticar o atual governo. Não pode apresentar a sua visão de mundo nem cobrar por aquilo que foi prometido, porque se você o fizer, significa que você é um bolsonarista”, disse.

Ele ainda alertou seus seguidores para um suposto movimento feito por Lula (PT): “O presidente atual tem feito o seguinte: sempre que alguém o chama publicamente de ladrão, essa pessoa é investigada criminalmente inicialmente, para depois sofrer uma ação penal pelo crime de injúria, porque atribui uma qualidade negativa a uma pessoa”.

A crítica

A manifestação foi publicada por Agi em suas redes sociais e, até a última atualização desta reportagem, acumulava cerca de 89 mil curtidas e mais de 7 mil comentários, além de ampla circulação no X (antigo Twitter).

No texto, o ex-magistrado reconhece o mérito artístico do ator, mas afirma que Moura teria desperdiçado a oportunidade de “unir o país” ao adotar discurso com viés político.

Na publicação, Samer Agi sustenta que figuras públicas, ao alcançarem reconhecimento internacional, carregariam responsabilidade social ampliada.Segundo ele, o ator teria usado o palco para criticar um político já julgado, o que, em sua avaliação, não teria contribuído para a população brasileira e apenas reforçado divisões políticas.

O ex-juiz também sugeriu que, caso Wagner Moura venha a vencer o Oscar, utilize o discurso para tratar de denúncias envolvendo aposentados e supostos desvios de recursos públicos — tema que, segundo ele, ainda não foi analisado judicialmente. “Um discurso pode mudar tudo. Ou nada”, escreveu.

O discurso


Ao receber o prêmio, Wagner Moura agradeceu à organização do evento, aos colegas indicados e à equipe do filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.

“O Agente Secreto é um filme sobre memória, ou a falta de memória, e trauma geracional. Se o trauma pode ser passado de geração em geração, valores também podem”, afirmou o ator em inglês. No encerramento, ele falou em português: “Para todo mundo no Brasil assistindo isso agora, viva o Brasil, viva a cultura brasileira”.

Na disputa, Wagner Moura superou atores como Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White.