Polícia

Entenda o esquema em que suspeitos atacavam e extorquiam garotas de programa em Maceió

Comprovantes de Pix, imagens de suspeitos e mensagens de ameaça estão entre os materiais apreendidos e anexados ao inquérito que investiga crimes de extorsão, roubo e estupro

Por Wanessa Santos 21/01/2026 09h09 - Atualizado em 21/01/2026 10h10
Entenda o esquema em que suspeitos atacavam e extorquiam garotas de programa em Maceió
Provas reunidas pela PC durante a investigação da operação 'Encontro Fatal' - Foto: Assessoria


A Polícia Civil de Alagoas apresentou novas provas reunidas durante a Operação “Encontro Fatal”, deflagrada em parceria com a Polícia Civil de Pernambuco, que investiga um grupo suspeito de atrair garotas de programa para emboscadas e, em seguida, praticar roubos, extorsões, agressões além de estupros. Entre os elementos obtidos na apuração estão comprovantes de transferências via Pix, imagens de câmeras de monitoramento que mostram suspeitos em deslocamento, prints de conversas com ameaças, além da identificação de uma moto vermelha que teria sido utilizada na execução dos crimes.

A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão no bairro Ponta Grossa, em Maceió, dentro de uma investigação criminal conduzida pela Delegacia de Boa Viagem, em Pernambuco. Durante as diligências, foram apreendidos celulares, aparelhos eletrônicos e extratos bancários, materiais considerados estratégicos para aprofundar o rastreamento do dinheiro e reforçar a responsabilização dos envolvidos.

Pix, imagens e mensagens: o que a polícia já tem em mãos


De acordo com as informações repassadas pela Polícia Civil, um dos principais pontos da investigação é o caminho percorrido pelo dinheiro obtido nas extorsões. A apuração identificou transferências realizadas sob coerção, como um comprovante no valor de R$ 630, registrado em 28 de março, que integra o conjunto de evidências reunidas.


Além disso, a polícia também obteve imagens de um dos suspeitos em um elevador e caminhando pela rua, registros que ajudam a reconstruir a movimentação do investigado e a ligação com os locais apontados pelas vítimas.

Outro material que chama atenção é o print de mensagens no WhatsApp em que um contato identificado como “Ricardo” envia ameaças a uma das vítimas. Na conversa, o suspeito escreve: “Vc pilantrou” e, em seguida, “Vou mandar cobrar”. A vítima responde: “Que??”. Para os investigadores, o conteúdo reforça o padrão de intimidação e pressão psicológica aplicado durante e após os crimes.

Também aparecem no inquérito imagens que mostram um dos suspeitos deixando um prédio ou condomínio, além de um punhal que teria relação com o modo de execução dos assaltos.

Entre os itens relacionados à dinâmica do grupo, a polícia aponta ainda uma motocicleta de cor vermelha, que teria sido usada na ação criminosa. O veículo aparece como peça relevante para conectar deslocamentos e facilitar a identificação de rotas e possíveis pontos de apoio utilizados pelos investigados.

Em vídeo divulgado com explicações sobre a operação, o delegado responsável pelo acompanhamento do caso, Bruno Tavares, informou que a investigação demonstrou que três indivíduos atraíam garotas de programa para um ambiente confinado, onde as vítimas eram rendidas e submetidas à extorsão.

Segundo ele, o dinheiro obtido era transferido para contas de beneficiários que residem em Alagoas, o que motivou o cumprimento dos mandados no estado. Além das apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, medida que, conforme o delegado, tem como objetivo garantir que os valores sejam futuramente destinados à reparação das vítimas, após o andamento da ação penal.

A Polícia Civil reforçou ainda que segue reunindo informações para identificar outros envolvidos e ampliar o alcance das diligências.

O delegado também fez um apelo para que outras possíveis vítimas procurem a polícia para formalizar denúncia e contribuir com novas linhas de apuração. O registro pode ser feito em delegacias físicas e também por meio da delegacia virtual, permitindo que casos semelhantes sejam comunicados e levados ao Judiciário.

A Operação “Encontro Fatal” é conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, com apoio da Polícia Civil de Alagoas, e segue em andamento.